O Clube da Luta – The Fight Club
O livro de Chuck Palahniuk tem quase todos os ingredientes tradicionais da receita de livro da assim chamada Literatura do Caos, apenas com a ausência de sexo explicito e escatologicamente detalhado, o que é marca registrada de autores como o anônimo Hakim Bey, J.G.Ballard e William Burroughs, assim como de referencia a drogas, também sempre presente nos escritos dos mencionados.
Embora a versão filmada tenha abusado das cenas de violência, a mesma é mais implicada do que explicitada no livro, que foca mais o aspecto dos porquês do uso da violência por parte dos excluídos dos vôos mais altos e que, até aqui, só puderam voar em seus sonhos. Os clubes da luta são constituídos por membros vindos das classes que suportam todos os que vivem o sonho como realidade, e que são as sub-classes de que fala Zygmunt Bauman: os garçons, que urinam ou cospem nos pratos dos abastados; os que trabalham nas salas de projeção dos cinemas, que inserem nos filmes água-com-açúcar imagens de vaginas e pênis de modo subliminar, causando apenas um mal-estar nos espectadores que eles não conseguem entender, e os trabalhadores engravatados que, de saco cheio da vida medíocre que levam, explodem os prédios onde trabalham, matando os chefes e destruindo tudo à volta.
Na minha opinião, o livro poderia ter como sub-título “a revolta do refugo humano”, pois é exatamente disso que se trata, um tremendo tiro de culatra na sociedade moderna, a qual não consegue mais varrer para debaixo do tapete os indesejados e os refugados, o lixo humano que cria e que, hipocritamente, desconhece. Embora o livro e o filme sejam bem parecidos, penso que cada um tem vida e dinâmica própria, valendo sempre a pena serem lidos, vistos repetidamente.
O livro Clube da Luta está disponível em inglês (The Fight Club) pela Biblioteca Harold Chimp.
Roberto Procopio