dez 22 2008

Quem gira o quê?

Já falei em outro texto que caminho quase todos os dias para recuperar a forma que perdi há uns 10 anos. Nunca fui um atleta, mas o meu sedentarismo chegou a um ponto tão culminante que não tinha por onde piorar, e daí eu tomei a decisão de me preparar melhor para o dia-a-dia caminhando ao menos por 30 minutos em 6 dias da semana. Bons conselhos da minha psiquiatra Daisy Hernandes e do meu coach Fernando Procópio. Moro num bairro bem movimentado mas fico impressionado com a quantidade de carros que, enquanto eu caminho ladeira acima, passam a velocidades superiores aos limites legais, cada um, já de manhãzinha disputando com o outro uma vaga no futuro. Eu sou do tempo em que precisávamos esquentar o carro antes de usá-lo, principalmente se fosse movido a álcool. Hoje isto já não existe e podemos ligar os motores e já dar início à defesa da vida pós-moderna, já dando cotoveladas mecânicas (os totós da Stock Car) em quem ousar brincar conosco. As máquinas estão prontas a nos servir, e nós devolvemos a gentileza que a tecnologia nos possibilita ao utilizá-la sempre no limite, pelo menos em relação aos carros. Caminhando, olho atônito a violência que é a velocidade, pois, numa fração de segundo, pode surgir uma bola, um garoto, um animal e botar tudo a perder. Se aceitamos os extremos que a tecnologia nos oferece, pergunto: somos nós que usamos (giramos) a tecnologia ou é ela que nos gira?

Roberto Procopio