dez 21 2008

Pedofilia

Em função do advento da internet e o interesse que o assunto do combate à pedofilia traz, cada ano o uso de computadores integrados em rede superando em muito o uso registrado no ano anterior, cabem algumas perguntas quanto à questão da pedofilia: será que o uso da internet estimulou e estimula  o aparecimento de pedófilos, ou seja, será que eles estavam no closet e só apareceram em função da suposta proteção que a rede de computadores trazia (traz)? Se a quantidade de pedófilos era proporcionalmente igual antes e depois do aparecimento da internet, o que faziam os pedófilos? Cometiam os mesmos crimes que antes? Onde estão os registros disto? A pergunta final é: há mais pedófilos hoje do que há, digamos, 20 anos, quando os primeiros micro-computadores não conectados em rede, começaram a ser usados por consumidores caseiros? Se a resposta for positiva, e penso que é, não vejo como negar que há um incentivo tecnológico à pedofilia, mais uma vez caracterizando o caráter frio da tecnologia e a sua característica de condução sistêmica do comportamento humano.

RP   

 


dez 18 2008

Lolita

A obra que inaugurou a PÓS-MODERNIDADE literária é “Lolita”, publicada em 1955, de autoria do russo radicado nos EUA Vladimir Nabokov (1889-1977); as incontáveis mudanças de peqpedofiliauena cidade para pequena cidade dentro dos EUA interior, a troca incessante de hotéis, todos tão semelhantes entre si, em seus quartos, cores e regras de comportamento plenas de hipocrisia, tão despersonalizados, são antecipações de imagens uns dos outros e das situações pós-modernas que apenas a lente de um outsider categorizado como Nabokov (1889-1977) poderia captar. Em Lolita não há valores, moral, ética alguma, razão qualquer mais elevada, a não ser a de que o protagonista Humberth Humberth (sic, com bis no nome!) era um pervertido pedófilo que queria se aproveitar sexualmente da pequena Lola, ele próximo aos 40 anos, ela 12 incompletos e ainda pré-púbere, filha de um lar confuso. Para adicionar tragédia ao drama, Lolita não tinha nada de angelical, a não ser a sua beleza infantil, já estando inserida em um comportamento sexual que se espalharia posteriormente por todos os EUA, como relata Tom WOLFE (1938) em “Ficar ou não Ficar”, onde a última etapa do que acontecia num relacionamento sexual entre adolescentes americanos nas escolas de segundo grau era um conhecer o nome do outro. A beleza de Lolita era de ninfeta, palavra criada por Nabokov, a partir de ninfa, para acomodar a situação da pervertida sedução que sofria o personagem Humberth Humberh pela beleza passageira da pequena Lola, já que ela deixaria de ser ninfeta dali a um ou dois anos, evidenciando o caráter de consumo e passageiro da relação. Se havia dinheiro para gastar, os hotéis de beira de estrada estavam abertos para o casal; ninguém conferia nomes, identidades, placas de veículo, nada, lembrando que havia um mandado de busca contra ele. O bis intencional no nome do protagonista revela o narcisismo do personagem, seu permanente estágio de espelho: só pensava em si mesmo e sua maior aflição em conseguir arrumar outra ninfeta que a substituísse tão logo Lolita deixasse de sê-la. O protagonista de Nabokov é um protótipo do indivíduo pós-moderno, preocupado com si mesmo e com o seu prazer imediato. O livro é leitura obrigatória para quem quer conhecer um pouquinho mais do comportamento da atualidade, onde vale a regra de que vale tudo , “as long as you don´t get caught”, ou seja, contanto que você não seja pego.

RP