dez
28
2008
Do pensador inglês-polonês Zygmunt Bauman, o livro analisa o fim do mundo como espaço de remoção para longe dos detritos da produção capitalista, o lixo, que, na visão de Bauman tanto serve para designar a montanha de dejetos que a industrialização promove, bem como os excluídos sociais, aqueles que perderam a sua função num mundo pós-moderno. Historicamente, os outcasts, os proscritos eram enviados para as regiões longínquas à matriz colonial, regiões como a Austrália, o Canadá, Estados Unidos, Brasil, etc., de certa forma se integrando como agentes da expansão do capitalismo colonial e industrial. Esta ejeção para fora do espaço não é mais viável, pois não há mais áreas desocupadas viáveis para os proscritos, os banidos social e economicamente e o mundo pós-moderno tem que conviver com eles, com este resto, este restolho, este lixo humano, que não tem outra função a não ser incomodar os ainda inseridos na sociedade pós, da classe média à classe dominante.
A análise de Bauman é sempre cáustica, botando a mão na ferida, ao dizer, por exemplo que, se há 30 anos preocupávamo-nos com a reeducação dos internos em instituições prisionais, já que eles poderiam ser ocupados produtivamente na economia formal ou informal, hoje isto já não ocorre, e a única coisa que importa à sociedade do lado de fora é o tamanho e a espessura do muro que nos separa deles. Outro ponto importante: com a perda de espaço de representatividade numa economia globalizada, os governos nacionais cada vez mais se interessam em criar aparatos de segurança extremamente visíveis e que se colocam em estado de prontidão contínua frente ao perigo real ou criado dos inimigos do estado, os terroristas globalizados, que é o que hoje vemos em todas as áreas públicas das principais metrópoles mundiais.
O livro, como praticamente todos do grande filósofo europeu, é imperdível e leitura recomendada no site a todos os que queiram entender melhor o que é a pós-modernidade.
Roberto Procopio
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dez
26
2008
No filme Dogma do Amor, já comentado por mim aqui, uma das seqüências menos verossímeis é quando vemos um corpo de um homem jogado numa cesta de lixo nas ruas da poderosa ilha de Manhattan, em Nova Iorque. Impossível de acontecer isto no futuro, mesmo que seja em 2021, ano em que o filme é ambientado. No diário de Nikki Sixx, líder e baixista do conjunto Motley Crue, o mesmo relata que ele próprio, dado por morto por seu traficante que havia lhe injetado drogas de má qualidade e que lhe causaram uma pesada overdose, não vê outra saída a não ser, para não se complicar, simplesmente abandoná-lo numa cesta de lixo em Londres, evadindo-se dali o mais rapidamente possível. O ano em que isso ocorreu? 1986, ou seja, há 22 anos! Quanto ao Dogma do Amor, podemos arriscar novo palpite?
Roberto Procopio
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dez
17
2008
Outro dia destes, bem perto da TV Bandeirantes, vi uma cena inusitada: um executivo saiu de seu Jaguar O KM , vou repetir: um executivo saiu de seu Jaguar O KM e, possesso, começou a esmurrar a porta de um caminhão de lixo que estava atrás dele. Esmurrou tanto que, muito provavelmente, deve ter quebrado a mão. Era o auge da crise financeira, quando o dólar começou a disparar, na realidade voltando ao patamar que havia deixado há uns dois anos. O que pensei de imediato foi que, no mínimo, o infelicitado executivo (ou executado?) tinha adquirido o lindo Jaguar indexado em dólar e agora estava amargando a conseqüência da sua decisão, pensando nos reais que tinha que pagar a mais pelo mesmo preço em dólar. Não vi o restante da cena, mas penso que uma sociedade onde este tipo de coisa se repete com freqüencia, ou seja, onde o paradigma de quase todos se transforma num apoplético e vê no coletor de lixo o seu adversário imediato, só por causa de um carro (bom, tá certo que era um Jaguar!), deve ter algum problema, não é mesmo?
RP
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