jan 1 2009

“Ficar” lésbica.

Uma leitora do site, a Bernadete, esteve recentemente numa cidade do interior do Estado de São Paulo onde a moda é “ficar lésbica”, não sei se permanentemente ou “de passagem”, exatamente o sentido do verbo “ficar”, pelo menos na sua acepção pós-moderna (ver “Ficar ou não Ficar”, de Tom Wolfe, disponível na Biblioteca Harold Chimp). O meu interesse aqui não é a preferência sexual de ninguém, mas sim a palavra ficar. Quanto à palavra lésbica, ela provem da ilha de Lesbos, na Grécia, fecunda em poetas, sendo Safo a mais conhecida, com fragmentos de poemas que sobreviveram até os nossos dias (tive o prazer de ouvir o grande Antonio Medina declamar em grego um dos fragmentos de poesias de Safo). Pelos poemas do assim chamado lirismo erótico de Safo, e dirigidos a outras mulheres, a ilha ficou conhecida de todos nós, dando-nos a palavra lésbica, enquanto que o nome da poetisa originou a palavra sáfica, também relativa ao amor entre mulheres.

Será que a ilha de Lesbos encarnou nesta cidadezinha do interior? Penso que, quanto a este aspecto, já temos uma cidade antecessora à cidadezinha do interior paulista, já que São Francisco, na Califórnia, passou a ser conhecida como a cidade gay. Resta apenas saber se, quanto a nossa cidadezinha de interior, é um “ficar” lésbica ou assumir definitivamente lá, nesta cidade, a sua opção sexual. Se for um “ficar”, ou seja, se for temporário, penso que fica claro o caráter de fazer andar a fila das experiências, e, nesse sentido, o livro de Tom Wolfe é muito bacana, já que ele faz uma análise das relações passageiras e modismos da pós-modernidade, da qual é especialista.

Roberto Procopio    


dez 28 2008

O beijo gay

Quando estive na avenida Paulista numa sexta-feira emenda de feriado fiquei surpreso (e contente) em ver alguns casais gays (homossexuais) andando de mãos dadas pelo passeio da avenida, bastante naturais e tranqüilos, curtindo a vida e o passeio como todos os demais casais (aliás, não vi mais casais de jovens namorados heterossexuais circulando de mãos dadas). Achei muito legal, pois todos têm direito às suas escolhas religiosas, políticas, culturais e sexuais, penso eu, preservados os limites do outro, que é o tema da famosa regra de ouro: “não faça para os outros o quê não queres que façam para ti”. Não vi a regra de ouro ser infringida, já que ninguém estava sendo incomodado pela liberdade do casal.

Corta a cena: almocei num restaurante tipo delivery e vi um casal de namorados heterossexuais se beijando à minha frente e achei normal, já que a coisa não passou dos limites da regra de ouro. Mais à frente, no Conjunto Nacional, vi a mesma cena se repetindo com um casal gay, ou seja, eles estavam se beijando, e também achei normal, já que também eles não passaram do limite, limite que, penso, para os dois casos, seria o exibicionismo, o exagero.

Penso que as opções sexuais de cada um vão ser cada vez mais aceitas por todos e isso é muito bom, e penso que, aos poucos, o caráter de excepcionalidade da comunidade gay será normalizado, normatizado (isto é,virará lei civil) e saberemos conviver com os diferentes. Pelo menos esta é a minha visão.

Roberto Procopio