dez
26
2008
Por mais que tentemos, penso que não há como negar que o líder recebe dos liderados uma outorga para agir no nome deles e uma luz verde para seguir adiante, defendendo, lutando e ampliando os direitos dos liderados, sejam eles políticos, sociais, culturais ou financeiros. A recente crise do mercado financeiro evidencia que a relação estabelecida (ao menos neste caso específico) entre pessoas físicas individuais e seus agentes financeiros foi a de uma outorga do tipo “siga em frente; enquanto você melhorar o desempenho (resultados) dos meus investimentos que estão sob a sua guarda e sob seu zelo, e, muito importante, enquanto você não for pego, estará tudo bem”. Ou seja, estabeleceu-se uma relação ambígua entre as partes, pois, do ponto de vista das pessoas físicas, e é claro que estamos falando com o benefício da análise retrospectiva, era evidente que as coisas não poderiam funcionar no ritmo em que vinham funcionando, com um crescimento anual do estratosférico PIB americano (11 trilhões de dólares) de 6%, o que é muita coisa. A expectativa por detrás de um crescimento destes é um desconto do futuro a taxas de degradação ambiental, das relações sociais e econômicas desaconselháveis, a tal da exuberância irracional mencionada há uns 10 anos pelo ex-presidente do FED americano Alan Greenspan, ainda sob seu mandato. Apostas pesadas no futuro imediato, o de 3 meses, que é o período de publicação dos resultados das corporações americanas e européias, esperando de seus gestores sempre a superação de difíceis metas, é o mesmo que dar pouco valor ao futuro não tão próximo, de 2 , 5 anos à frente. É o aqui e agora que vale e o resultado só poderia dar no que deu. Os líderes atuais, sejam eles CEOs, políticos, governantes, estão pagando pela conversa ambígua que tiveram com seus liderados durante todos estes anos e penso que as próximas lideranças em formação terão que ter uma conversa mais direta e franca com seu eleitorado e suas bases, para recuperar a credibilidade do sistema como um todo, já que a crise é uma crise de confiança e da procura por um líder que aponte o caminho e fale do amargor do remédio necessário para superá-la, que só pode ser muito trabalho e criatividade, sem oportunismos e sem ambigüidade.
Roberto Procopio
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dez
23
2008
A montadora japonesa Toyota anunciou que terá enorme prejuízo no ano de 2008, o banco que nunca dorme em casa, mas que dorme no ponto, o Citibank, precisou de apoio governamental, o Lehman Brothers, que se vangloriava há apenas 8 meses de apresentar resultados crescentemente positivos aos seus acionistas, já era, varrido por um sopro do mercado, GM, Ford e Chrysler foram pegos de calças curtas depois de muito fornicação (estou com vocabulário bíblico hoje) com o dinheiro do consumidor (será que é fetichismo do dinheiro?) , o mesmo ocorrendo com Volkswagen, cujos executivos se envolveram em escândalos com prostitutas, a seguradora AIG também passando o pires no executivo americano etc. Fico imaginando aqui que tipo de acordo por debaixo do pano deve estar ocorrendo entre os poderosos do FED americano e do Tesouro, que são os gestores da crise, e os pedintes corporativos. Se acontece aqui, com muito mais razão (dinheiro) deve também estar acontecendo por lá. O pessoal de publicidade e marketing pode preparar as burras, pois penso que eles precisarão trabalhar muito mais e, portanto, cobrar muito mais para reparar as burradas ou sacanagens desta turma toda, necessitando muita criatividade e malícia para fazer o consumidor dissociar os escândalos e os recentes fracassos das marcas, todas elas de forte apelo junto ao consumidor final. Embora não consiga antecipar nada, penso que estamos evoluindo para marcas globais de apelo mais local, mas isso se daria fundamentalmente por movimentos de pressão e reação de um mercado voraz e veloz, que é o mercado da pós-modernidade, que, até aqui, tem nas marcas um forte aliado, mas que deve estar, numa ação sistêmica, se metamorfoseando para a preservação e a preparação da quarta etapa do capitalismo.
Roberto Procopio
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dez
22
2008
O ano de 2008 vai ser lembrado como o ano do colapso profissional de muitos executivos de primeira linha e que dirigiam organizações tidas como símbolos do capitalismo globalizado. Fiz uma lista de todos eles para que não nos esqueçamos de que já foram poderosos um dia e hoje valem menos do que uma tampinha de guaraná, ta bom, uma cortiça de um bom vinho. Nomes como Dick Fuld (Lehmam Brothers), Bernard Madoff (ex-NASDAQ), Daniel Dantas (Banco Opportunity), e os três patetas CEOS da indústria automobilística, dentre outros, ficarão na história dos piores CEOs de todos os tempos. Eles despencam por terem perdido os laços com a realidade, precisando, como se diz, de um acerto de contas com a realidade, um “reality check”, já que se descolaram dela há muito tempo, achando que tudo que deles emanava só podia ser positivo. São pessoas inerentemente refratárias a aceitar opiniões alheias e que se escondem no aconchego de suas suítes executivas, e penso, inclusive, que muitas delas têm mentalidade de bunker, de Hitlers em seus abrigos, não se importando a mínima com a destruição que semearam através de sua incompetência em reconhecer os próprios limites. Penso que é hora de colocar gente de mais caráter e coragem na direção das empresas. Em suma, os de cima, despencaram de podres.
Roberto Procopio
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