dez 26 2008

Em terra pós-moderna quem tem DDA é rei

DDA é déficit de atenção, distúrbio que leva a pessoa portadora desse distúrbio a não se concentrar em nada, sempre desviando a atenção de um dado assunto, nunca conseguindo focalizar muito a atenção por muito tempo. Pessoas com elevado DDA (tenho isso em pequeno grau) não conseguem ler um livro até o fim, já que são hiper-ativas, sempre se envolvendo em coisas novas, novas atividades, etc. Se até há pouco tempo, antes do advento da internet de uso por quase todos, ou seja, desde 1995, o DDA era considerado um prejuízo, uma exceção a uma regra de pessoas focalizadas em suas atividades diárias, pessoais e profissionais, nos dias de hoje uma pessoa que tenha déficit de atenção, passará despercebida na multidão ou em grupos, será considerada o modelo a seguir, já que o comportamento desfocado dela é a regra e o paradigma, cada um de nós sendo instados pela época em que vivemos a mudar de atividades e de interesses com muito mais freqüência do que há 20 anos (ou até menos do que isso).  Fico imaginando o distúrbio que isso provoca na pesquisa científica e na aquisição de conhecimento, já que há um embate, uma disputa entre as mídias, uma sendo o livro, que solicita compromisso, planejamento, disponibilidade, etc. e outra sendo a internet, que instiga justamente o contrário, a falta de compromisso de longo prazo, a prevalência do oportunismo versus o planejamento, a falta de disponibilidade para longos projetos (os científicos, por exemplo).  Se não soubermos aproveitar o melhor desses dois mundos, cairemos em mais uma das armadilhas da pós-modernidade, que só requer de nós o compromisso com o que é visível e imediato.

Roberto Procopio