abr 13 2009

Metabolismo

Francis Fukuyama, na esteira de Hegel, havia decretado o fim da História, o que não significaria exatamente que as coisas deixariam de mudar e passariam a se repetir, mas sim que, a adoção da democracia liberal por praticamente todas as nações do mundo significaria a inexistência de mudanças importantes nos processos políticos e econômicos, todos eles, segundo Francis, qualificados praticamente do mesmo modo, ou seja, democráticos liberais e consagrando o capitalismo como modo de operação econômica.  O pensador americano recantou sobre o que pensava, principalmente a partir da sugestão de Edward Wilson, biólogo americano, que lhe havia indicado, a impossibilidade do fim da história, nome de um dos livros de Francis, já que não havia ocorrido o fim da ciência. Há poucos anos, Francis Fukuyama, mudando um pouco o seu foco de ação, a partir nas novidades científicas aportadas pela biogenética, focando principalmente nos aspectos éticos e legais que as descobertas neste ramo da Biologia acarretaram, publicou outro excelente livro, editado em português e chamado “Nosso Futuro Pós-humano”. É tema para muitos artigos.

Penso, contudo, que a grande dificuldade de apontar para o futuro e o que ele nos reserva, ainda se atrela ao grande dilema ou debate a respeito do determinismo e do livre-arbítrio, que, já presente e forte desde os gregos e hindus, perpassa por Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Lutero e Calvino, Erasmo, Newton, Nietzsche, Schopenhauer, Einstein, Niels Bohr e outros, extrapolando a Filosofia e a Ciência. Quanto aos determinismos, há o geológico, o genético, o orgânico e biológico, o psíquico, o ambiental, o social, o econômico, etc.

Sempre fui, e continuo sendo, infatigável partidário da idéia do livre-arbítrio humano, embora me sinta um pouco incomodado quando levanto todas as noites às 4 horas da manhã ou entro num banheiro público para fazer xixi.

Roberto Procopio       

       


abr 9 2009

Nietzsche

Nunca nutri simpatias pelo filósofo alemão e li umas 4 ou cinco obras dele sempre com o pé atrás, com aquela atitude de “cuidado que o cara é pirado”. Li também aquele livro (não gostei) “ O dia em que Nietzsche chorou” e, no confronto entre Freud e Nietzsche pelo troféu simpatia, prefiro deixar a premiação para o ano que vem.

Li, contudo, com bastante satisfação, sorvendo mesmo o conteúdo, o livro “Wagner em  Bayreuth”, um panegírico do filósofo alemão ao compositor idem e que achei bastante despretensioso, equilibrado e essencial para entender Richard Wagner e sua obra. Após a leitura do livro, iniciei a audição das óperas de Wagner percebendo-o de um outro modo, principalmente no aspecto do amálgama entre a palavra e a música, alguma coisa muito bem percebida pelo filósofo, já que a Alemanha da segunda metade do século XIX parece ter esgotado o significado dos termos, o que só a linguagem musical de um gênio como o de Wagner conseguiria redimir, novamente elevando a ópera a uma arte de primeiro nível, e não mais o motivo de ponto de encontro de homens de negócios que se pretendiam cultos.

Penso que Nietzsche, neste texto, não abusou dos adjetivos depreciativos, o que diminuiu bastante o caráter ofensivo normalmente associado a ele, sem contar que o filósofo se achava  - e era – o rei da cocada preta.

Quem quiser, vale a pena conferir.

Roberto Procopio   


abr 8 2009

A “patchwork” dos 20.

No seu livro As estórias, Heródoto conta um episódio sobre um grupo de sete amotinados e que se preparava para dali a uma semana assassinar determinado rei. Um dos conspiradores levanta-se e diz: segredo de sete não existe! Ou fazemos isso agora, vamos lá e matamos o rei, ou serei o primeiro a denunciar-nos todos , conseguir uma “delação premiada” (aspas minhas , já que o termo é moderno). Julgamentos éticos à parte, este era o mais inteligente de todos, já que é realmente impossível manter um segredo tão importante durante tanto tempo.

Uso Heródoto e volto ao presente. Penso que a reunião dos G 20, uma contradição nos termos, já que nem todos são grandes nesses 20 que se reuniram no dia 02 de abril em Londres para tentar acertar os rumos da economia mundial, está de certa forma fadada a ter o mesmo destino do relato de um dos pais da História: um grupo de 20 é uma colcha de retalhos (patchwork) muito mais esgarçada e sutil do que um grupo de 7 ou 8 e tende a se romper com muito maior facilidade. Ou seja, deixado de lado o aspecto meritório da conversa em si, não tenho qualquer dúvida de que, surgidos os primeiros problemas, cada um dos membros deste grupo de 20, sempre com um olho nas coalizões caseiras, irá cuidar do seu quintal e dos seus afazeres, subtraindo-se ao compromisso com os demais.

Em todo o caso, quem viver verá!         


abr 7 2009

Semelhanças embrionárias

Acho bastante interessante um aspecto levantado por alguns biólogos a respeito da semelhança entre organismos vertebrados (peixes, répteis e mamíferos) quando ainda em seu estágio embrionário, ou seja, ainda enquanto embriões, semelhanças que se perdem durante o período seguinte e que nos dá formas bastante diferenciadas.

Acho fascinante a idéia de que, mesmo nós humanos, quando embriões, passaríamos por estágios evolutivos (darwinianos) de peixes, répteis e mamíferos, como a dizer que, em pouquíssimos dias, fomos de peixes a primatas, saímos do elemento água e fomos para o elemento terra, uma idéia hoje bastante contestada pelos especialistas, descobertas recentes na camada do Pólo Ártico, encontraram um elo perdido entre o peixe e os répteis, um fóssil de , aproximadamente, 385 milhões de anos, que, em função de características anatômicas, mas principalmente do achatamento frontal de sua cabeça, alguma coisa preservada nos crocodilos e jacarés, causou frisson no meio da Paleontologia, a ciência que estuda as relíquias fósseis.

As transformações causadas, ou melhor dizendo, inter causadas pelos genes, organismo e ambiente natural, fizeram o mundo animal e a flora serem o que são hoje, ao menos na minha visão, um enorme e indecifrável enigma sobre como e por que se dá esta transformação. O resto, inclusive a teoria darwinista e neodarwinista é tentativa de encaixotar e explicar o mistério da vida.

Roberto Procopio        


abr 6 2009

Um cientista maldito

A teoria da evolução das espécies, como tudo na evolução do conhecimento humano, foi formulada a partir da contribuição de vários pensadores anteriores a Charles Darwin, fato sobejamente reconhecido pelo naturalista inglês, que , mais do que ninguém, se apropriou e citava à exaustão em suas obras o motto de Leibniz de que a “Natureza não dá saltos”, ditado também válido, é claro, para o próprio mecanismo da evolução concebido por Darwin.

Uma das principais influências em Darwin foi o geólogo  Charles Lyell que, por aprofundas um incipiente debate sobre as camadas fósseis da Terra, comunicou ao inglês a idéia de que o tempo de existência de nosso planeta não eram os 5.500 anos preconizados pelos estudiosos bíblicos e que levaram ao pé da letra o texto sagrado hebreu. Darwin chegava a propor datas geológicas que poderiam significar um retrocesso de centenas de milhões de anos, um tremendo progresso com relação ao conhecimento anterior. Outra grande influência foi a de Thomas Malthus que, com sua teoria populacional, comunicou ao biólogo britânico a existência de uma luta pela sobrevivência no mundo animal, levando a idéia da sobrevivência do mais adaptado.

Bastante cauteloso na sua teorização, Darwin só veio a publicar o seu mais famoso livro, A origem das espécies, após ter recebido um texto do também inglês Alfred Russell Wallace, o qual havia chegado, independentemente de Charles, às mesmas conclusões que ele. O nome de Wallace é citado inúmeras vezes como fonte fidedigna por toda a obra de Darwin, principalmente na The Descent of Man, obra escrita em 1872 por Darwin como contraponto as idéias de Wallace que, aparentemente de forma abrupta, converteu-se  ao espiritualismo (espiritismo) assombrando a classe cientifica da época, que, compreensivelmente, a última coisa que queria prestigiar em suas hostes, era um cientista eminente e que buscava a verdade em esferas não científicas, tendo seu nome sido praticamente banido do registro da ciência.

Roberto Procopio              


abr 3 2009

O eureca de Einstein

Boa parte da genialidade do cientista alemão, suíço e americano, após ter um período apátrida em sua vida, era trazida por duas características de sua personalidade, as quais preservou durante toda a sua vida: não aceitar verdades empacotadas ou dogmas científicos e sempre estimular a sua criatividade. Costumava absorver uma quantidade enorme de informação e leu Kant aos 13 anos de idade, por recomendação de  um amigo mais velho. Dominou o cálculo diferencial na mesma idade, embora não fosse a matemática o seu ponto forte, sempre solicitando apoio aos conhecidos e à ex-esposa Marczi quando precisava resolver problemas sobre os quais tinha certezas intuitivas ainda não demonstradas matematicamente.

Dizia que a intuição era o seu forte, e entendia que a intuição era resultado de processos racionais de certa forma automatizados na mente humana e os quais não era necessário explicar. Conseguia o seu “achei” euclidiano tocando violino, embora fosse também capaz de, durante uma sofisticada demonstração em aula, resolver um problema que guardava na mente, mas, sem dúvida, mais uma resolução do tipo eureca, ou seja, com a mente concentrada em outra atividade.

Resumindo, podemos dizer que a receita do gênio da Ciência era uma forte dose de intuição aliada a um anti-dogmatismo visceral, mais tarde tornado anti-militarismo, e a uma mente que se estimulava e estimulava todos à sua volta a desenvolverem a sua criatividade.

 Roberto Procopio   


abr 2 2009

Richard Wagner

Uma das poucas exceções ao meu hábito (ou compulsão) de leitura é a ópera de Wagner. Gosto especialmente de Parsifal, que em parsi significa o Tolo Puro, nome que dá o sentido à própria obra, e da quadrilogia o Anel dos Nibelungos. Para acordar, escuto o Holandês Voador, uma das primeiras compostas pelo compositor alemão, mas que consegue, e isto parece ser instintivo em Wagner, passar o drama do navio errante comandado por fantasmas e que, de tempos em tempos, ancora em algum porto para escapar à maldição. O som das trombetas anunciando a ancoragem do navio é realmente de uma força total, expressão do puro navio num mar revolto. Se na maior parte das operas, a abertura é composta de modo totalmente independente do restante da obra que dá tema à mesma, fica claro que isto não ocorre com as obras de Wagner e muito menos com o Fliegender Hollander.

Wagner foi contemporâneo de alguns gênios da época, mas foi com Nietzsche e Schopenhauer que teve o relacionamento mais intelectualmente profícuo para ambas as partes, todos gênios inexcedíveis em suas respectivas áreas de atuação (e havia isso, quando falamos de polímatas como eles?).  Rompendo com a tradição clássica da música operística, dota as mesmas de uma profundidade que tanto serve ao povo alemão, por apresentar aspectos da mitologia alemã que ajudou a reconstruir, como apresenta uma simbiose entre linguagem e música que, como diria Nietzsche, atravessa e ultrapassa a limitação do idioma alemão de então, um feito que se patenteia no Anel dos Nibelungos, Parsifal e em Tristão e Isolda, dramas, como quase tudo em Wagner, só se concretizam e explicam na Morte como personagem principal, à qual Wotan, o corrompido deus germânico, assiste com um sorriso malicioso nos lábios. Independentemente da dificuldade da mensagem, não há como resistir à beleza da mescla de sons e palavras que apenas um gênio como Wagner ousou alcançar.

Roberto Procopio

 


mar 30 2009

Notícias Pós-Modernas

  Qual será o motivo de tantos incidentes parecidos no país? Será que existe uma razão específica, algum tipo de comportamento comum que leva tantos a cometer senão o mesmo, similares, tipos de crimes?

“Atirador mata seis em clínica de idosos nos EUA

da Folha Online

Um homem armado matou pelo menos seis pessoas em uma clínica especializada no tratamento de idosos no Estado da Carolina do Norte –costa leste dos EUA–, segundo informações da rede americana de TV WRAL.

Outras três pessoas ficaram feridas no ataque, realizado por volta das 10h deste domingo (11h em Brasília). Segundo a WRAL, entre os feridos estão um policial e o próprio atirador.

O incidente ocorreu na clínica Pinelake Health and Rehab Center, na cidade de Carthage.

O chefe do departamento de polícia local, Chris McKenzie, descreveu o atirador como “um homem jovem”.

A clínica é especializada no tratamento de idosos com o mal de Alzheimer e tem 90 leitos.

Uma mulher que atendeu a um telefonema da equipe da BBC News neste domingo confirmou que houve um tiroteio no local, mas não deu mais informações sobre o caso. “


mar 30 2009

Notícia Pós-Moderna

A primeira queda dos três patetas:

Presidente demitido da GM leva US$ 20 mi de indenização
Folha Online

O ex-presidente e executivo-chefe da montadora americana GM (General Motores), Rick Wagoner, vai receber um cheque de US$ 20 milhões após a sua saída, anunciada oficialmente na noite de domingo.

O porta-voz da montadora americana, Renee Rashid-Mereem, informou à agência de notícias France Presse que a soma corresponde a indenizações “acumuladas até 31 de dezembro durante seus 32 anos de General Motors”. Ele ainda informou que o cheque não é um “paraquedas dourado”.

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Wagoner, 56, assumiu o cargo de executivo-chefe da montadora americana em 2000, e passou a acumular a presidência a partir de 2003. Sob seu mandato, a empresa perdeu a liderança mundial do setor automotivo, conquistada pela japonesa Toyota, e acumulou US$ 82 bilhões de perdas nos últimos três anos.

Em uma nota publicada no site da empresa, Wagoner afirmou que se reuniu em Washington na sexta-feira com funcionários do governo, que pediram sua saída para que a companhia pudesse continuar a receber ajuda estatal.

Wagoner se tornou assim a primeira baixa do plano de reestruturação para tentar salvar o setor automotivo, antes mesmo que as medidas fossem anunciadas na manhã de hoje pelo presidente americano, Barack Obama.

A GM e a concorrente Chrysler apresentaram no mês passado seus planos de reestruturação ao Congresso, como contrapartida pela ajuda de US$ 17,4 bilhões oferecida a ambas em dezembro do ano passado. As duas empresas solicitaram uma quantia suplementar –US$ 5 bilhões para a Chrysler, que já obteve US$ 4 bilhões, e até US$ 16,6 bilhões para a GM, que já conseguiu US$ 13,4 bilhões.

Porém, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse hoje que esses planos estão insuficientes. Segundo ele, a GM terá mais 60 dias para apresentar um novo plano, e a Chrysler teria 30 dias para chegar a um acordo de parceria com a Fiat –que, por sinal, já foi anunciado hoje.

“Embora a GM tenha feito um esforço de boa fé para se reestruturar nos últimos meses, o plano que eles apresentaram não é, na sua forma atual, sólido o suficiente”, disse. “Mas vou ser claro: o governo dos EUA não tem nenhum interesse ou intenção de assumir a condução da GM. Estamos interessados em dar à GM uma oportunidade para que sejam finalmente feitas as mudanças muito necessárias que permitirão à empresa ressurgir mais forte e mais competitiva.”

Obama disse que a situação da Chrysler é mais desafiadora e que o governo determinou “com profunda relutância, mas com uma visão clara” que a empresa precisa de um parceiro para permanecer viável.


mar 26 2009

Notícias Pós-Modernas

“Emissora norte-americana gravará reality show com doentes terminais

Redação Portal IMPRENSA

O canal norte-americano CBS começa a gravar o reality show “Live Like You’re Dying” (Viva como se estivesse morrendo, em português), que aposta na vontade de doentes terminais em cumprir um último desejo. A idéia foi proposta pelo apresentador de “Survivor”, Jeff Probst, que também vai comandar as emissões da nova atração.

“O programa não vai se centrar na morte. O que queremos contar e mostrar é precisamente a vida. Queremos inspirar as pessoas a aproveitarem ao máximo as suas vidas todos os dias”, afirmou Probst, de acordo com o site Entertainment Weekly.

Segundo a página virtual do Diário de Notícias, o programa-piloto já está sendo preparado para estrear em Janeiro. Cada episódio será centrado numa pessoa e o prêmio é a realização da aventura da sua vida. Devido à natureza dos concorrentes, um prêmio em dinheiro não faria sentido.”

Comentário: A morte deve ser celebrada em rede nacional?


mar 18 2009

Ainda sobre Charles Darwin

Há alguns dias venho lendo e relendo alguns livros escritos pelo naturalista inglês e, cada vez mais, chego à conclusão que o bom velhinho foi usado por seus seguidores de forma equivocada e até mal-intencionada. O que mais permeia os textos de Darwin é o caráter tentativo que ele imprime às suas colocações, sempre muito cauteloso em tudo que escreve, várias vezes se comprometendo a complementar ou suportar as suas afirmações com um livro mais denso e volumoso que seria escrito após o Origem das espécies, sua obra mais célebre  publicada às pressas em função da emergência iminente da obra de Alfred Wallace, que havia chegado independentemente de Charles às mesmas conclusões. Em função de problemas de saúde, a obra mais avolumada jamais foi publicada.

Fico a pensar o que leva as pessoas a distorcerem tanto as palavras de um fundador de uma escola como o foi Darwin, e penso que isso se deve, em boa parte, à necessidade de apontar caminhos práticos ao resto da humanidade, soluções prontas, dogmáticas mesmo, que bem ao fundo nos dizem: não pensem nisso, isso já foi resolvido há muito tempo, é só aplicar a regra!

 Roberto Procopio


mar 13 2009

Notícias Pós-Modernas

Alemanhã amanhece de luto após tragédia em Winnenden

Bandeiras a meio mastro denunciaram na manhã desta quarta-feira o luto vivido por todo um país depois que um adolescente de 17 anos matou 15 pessoas antes de tirar sua própria vida em Winnenden, cidade no interior da Alemanha, ontem. No local da tragédia, centenas de velas foram deixadas do lado da escola Albertville em homenagem às vítimas.

Na noite de quarta, Igrejas receberam dezenas de pessoas e outras tantas ficaram de vigília em um ato espontâneo chamado pela líder alemã Angela Merkel de “uma manhã para toda a Alemanha”. “Nossos pensamentos estão com as famílias e com os amigos. Nós estamos pensando e rezando por vocês”, disse Merkel, segundo a agência AFP.

A capa do jornal local Winnenden Zeitung apareceu nas bancas hoje quase toda em branco, com apenas uma palavra impressa: “por quê?”. A mesma dúvida pairava pelas ruas e igrejas da cidade ao norte de Stuttgart. “Há mais violência do que havia há 10 anos. Eu não entendo”, afirmou uma vendedora de Winnenden.

A polícia ainda não encontrou um motivo para a chacina. Onze das 12 vítimas da escola eram mulheres, todas mortas com tiros na cabeça. O atirador foi a uma das salas de aula três vezes. Na última vez ele disse: “Vocês ainda não estão mortos?”. Então uma das professoras se jogou em frente a um dos alunos e acabou morta.

Inicialmente, as autoridades informaram que Tim Kretschmer teria matado 16 pessoas antes de cometer suicídio. No entanto, voltaram atrás e confirmaram 15 homicídios. As vítimas seriam três professoras, nove alunos da escola Albertville, uma pessoa morta pelo jovem em sua tentativa de fuga e dois homens assassinados na concessionária de veículos onde ele trocou tiros com a polícia antes de tirar a própria vida.

Tragédia anunciada
Tim Kretschmer, 17 anos, invadiu o centro de ensino na manhã de quarta-feira e matou nove estudantes, oito delas mulheres, e três professores, com uma pistola Beretta que recarregava de modo incessante. Durante a fuga matou mais três pessoas, antes de cometer suicídio após uma troca de tiros com a polícia. O adolescente havia anunciado sua intenção em um fórum na internet.

“Tenho armas aqui, amanhã pela manhã irei a minha antiga escola”, escreveu Tim Kretschmer em um fórum de discussão na internet, informou o ministro do Interior do estado regional de Baden-Wurtemberg, Heribert Rech, em uma entrevista coletiva na manhã desta quinta. Na mesma oportunidade foram apresentadas as duas pistolas utilizadas pelo jovem no massacre.

“Estou farto, já tive o suficiente desta vida sem sentido, sempre a mesma coisa. Todos riem de mim e ninguém reconhece meu potencial”, completou o jovem assassino. Na quarta-feira à noite mais de 1.000 pessoas participaram em uma missa na igreja local, ao mesmo tempo que uma equipe de psicólogos chegava à cidade para ajudar os moradores traumatizados.

Investigação
Enquanto a cidade faz a mesma pergunta estampada na capa do Winnender Zeitung, a polícia analisa se o pai do assassino deve ser indiciado. Ele possuía mais de 15 armas, todas legalmente registradas. Com exceção de uma, todas as demais estavam trancadas. No entanto, a arma do crime e as munições estavam ao alcance do jovem que.

Os investigadores também confiscaram o computador do assassino. “Examinamos o computador e encontramos jogos eletrônicos típicos deste tipo de louco, incluindo o jogo Counter-strike”, afirmou Ralf Michelfelder, uma das principais autoridades da polícia local. A polícia alemã deve apresentar ainda nesta quinta-feira os primeiros elementos sobre as motivações do jovem.

Perfil
Tim Kretschmer era filho de uma família próspera. O pai dele dirige uma empresa de 150 funcionários. Os pais e a irmã do assassino foram levado para um local secreto, segundo os canais de televisão. O ministro do Interior de Baden-Wurtemberg, Heribert Rech, afirmou na quarta-feira que nada nos antecedentes do jovem permitia prever o ato.

O adolescente era introvertido. “Ele não era aceito e passava o dia sentado diante do computador”, afirmou um de seus colegas, identificado apenas como Mario, ao canal de televisão N24. Os investigadores não descartam ainda que o adolescente tivesse problemas com as mulheres, já que quase todas as vítimas na escola foram garotas.

“Kretschmer destruiu a alma de uma escola e arrancou o coração de uma cidade”, afirmou o ministro Rech. A chanceler Angela Merkel decretou “um dia de luto para toda Alemanha”.

Com agências internacionais

Redação Terra

mar 11 2009

Notícias Pós-Modernas

Atirador mata ao menos nove pessoas e comete suicídio nos EUA

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Um atirador matou ao menos nove pessoas em duas cidades do sul do Alabama, EUA, e depois cometeu suicídio.

Segundo autoridades do Departamento de Segurança do Alabama, os disparos começaram na tarde desta terça-feira (10) na cidade de Samson. O atirador matou cinco pessoas em uma casa e fez mais uma vítima em cada uma de outras duas casas.

O atirador, então, disparou contra um carro de patrulha, acertando o veículo sete vezes. Um policial ficou ferido com os estilhaços de vidro.

Em seguida, o atirador matou uma pessoa em uma loja em Samson e outra em um posto de serviços, segundo o departamento de segurança.

“Ele simplesmente estava dirigindo pela rua e atirando nas pessoas sentadas na varanda de suas casas”, disse Harri Anne Smith. “Uma família estava sentada na varanda e eles foram alvejados”.

A polícia perseguiu o atirador até uma empresa chamada Reliable Metal, localizada em Geneva, uma área industrial a cerca de 19 quilômetros a sul de Samson, onde o criminoso fez cerca de 30 disparos. Um dos tiros atingiu o chefe de polícia de Geneva, Frankie Lindsey, que foi salvo pelo colete à prova de balas.

Segundo fontes oficiais, o atirador entrou na empresa e então se matou. Cerca de 400 pessoas trabalhavam no local naquele momento. Segundo testemunhas ouvidas pela emissora de TV WTVY, não há feridos na Reliable Metal.


mar 6 2009

Relatório IPCC

Em fevereiro de 2007 o IPCC (Intergovernmental Panel of Climate Change) lançou o primeiro relatório do ano sobre as mudanças climáticas. Esse relatório confirma que há 90% de possibilidade de o grande responsável por todas as mudanças climáticas do planeta ser o homem.  O relatório prevê também que a temperatura do planeta pode aumentar de 1,8 e 4,0 graus ainda este século.

Há quem diga que 2 graus não é muito. Então imagine que seu corpo, daqui uns anos, tenha a temperatura média de 38 graus. Imagine também os animais com 2 graus a mais de temperatura média. Temos também os peixes, a agricultura, enfim, tudo sofrerá grandes impactos com “apenas” 2 graus a mais. 2 graus é sim muita coisa.

Porém, um terceiro relatório lançado no dia 4 de maio de 2007 diz que é possível deter esse aquecimento caso o processo de redução das emissões de CO2 (entre 50% a 85%) for inciado até 2015. 

Temos uma chance, talvez a última de todas, de fazer algo. Esse é um trabalho de grupo, de conscientização. Um trabalho de começa em nossas casas, nossos bairros, nossas cidades e finalmente com os órgãos governamentais de nosso país.

TODOS podemos ajudar. De maneira mais ativa, participando de instituições como o WWF-Brasil, GREENPEACE entre outros, ou somente fazendo um simples trabalho de reciclagem de lixo em casa, economizando água, optando por utilização do álcool ao invés de gasolina nos automóveis da família, pegando carona, andando de transportes públicos.  É uma questão de iniciativa. Começar, com o que quer que seja, uma atitude de ajudar a salvar e preservar o planeta em que vivemos. Não podemos nos esquecer que é nesse planeta que viverão nossos filhos, netos e bisnetos. Todo grande projeto começa com um pequeno passo.

Pensem nisso!

Um abraços a todos

Raquel Espigado   

Originalmente postado em 12/12/2008


mar 6 2009

Tributo a um super vendedor

Há uns 13 anos gerenciei uma equipe de vendas de software para o varejo, produtos mais triviais, mas que, como é característica do varejo, tinham uma série de concorrentes à altura. Era um “pega para capar”, “briga de foice” num mercado que briga por margens e prazo, centavo por centavo, dia por dia. Da equipe de umas 10 pessoas, havia um vendedor que se destacava e que era o Mario. O Mario era tão bom que era chamado às empresas compradoras apenas porque os compradores gostavam de conversar com ele,  já que ela muito animado e tinha sempre uma novidade para contar, sempre agregando alguma coisa a quem o recebesse, tornando o seu dia mais feliz.

No meio do ano o Mario já tinha cumprido a meta anual e, infelizmente, faleceu num sábado aos 33 anos de idade em trágico acidente automobilístico, deixando-nos todos enlutados. Fui ao enterro dele no domingo numa cidade do interior do Estado de São Paulo, levando os pêsames de toda a empresa à família enlutada e principalmente aos pais. Foi difícil trabalhar na semana seguinte ao acidente.

No fim do ano, na comemoração do fechamento do ano comercial, recebi a placa que não pode ser entregue ao Mário, o prêmio de melhor vendedor do ano, uma linda placa em acrílico, a qual me comprometi perante todos os colegas a levar aos pais do Mario, que moravam a 180 quilômetros de São Paulo. Foi uma das missões mais difíceis que tive em minha vida, mas ao mesmo tempo sabia que estava levando um símbolo da sua garra e do seu profissionalismo e do seu espírito vitorioso. Ao entregar o troféu aos seus pais, não pude conter as lágrimas e embargar a voz e tenho certeza que aquele troféu representou muito para os pais do meu super vendedor, dos melhores que conheci até hoje.

Roberto Procopio

Originalmente postado em 19/01/2009


mar 6 2009

The Swordless Samurai

Escrito por Kitami Masao e adaptado pelo americano Tim Clark, é mais um daqueles livros que traz a vida dos samurais japoneses, exemplos de comportamento ditado pela tradição, para o mundo atual dos negócios. Mas, não nos enganemos pelos rótulos: embora forçando um pouco as associações entre o mundo da arte da guerra e o dos negócios de hoje em dia, o livro, escrito em um inglês bastante simples e compreensível, é muito bom, e pode mesmo ser adotado como uma manual de procedimentos de estratégia de negócios e de regras de ética e comportamento. Um índice referencial, assim como uma excelente introdução escrita por Tim Clark, também ajuda muito a entender os costumes, hierarquia e tradição do Japão milenar.

“O Samurai sem espada” mostra a vida de Toyotomi Hideyoshi, que, em função de sua feiúra, passou a ser conhecido como o Macaco, camponês miserável que, através da astúcia e da arte de servir ao seu líder, assim dispensando os requisitos de nobreza necessários à ascensão ao importante cargo de samurai, chegou a unificar e dominar o Japão do século XVI, após o período conhecido como o das Guerras dos Samurais.

O livro é leitura indispensável aos que pretendem conseguir a coerência no que fazem, seja na vida diária, seja no mundo de negócios de hoje, tão enfraquecido pelas recentes crises de confiança em seus líderes, que se deixaram iludir por armadilhas para as quais Hideyoshi nos chama a atenção com bastante vigor e clareza, reconhecendo que ele próprio se enfraqueceu por ter sido seduzido por tais tentações.

“O Samurai sem espada” está disponível em inglês pela Biblioteca Harold Chimp.

Roberto procopio

 Originalmente postado em 30/01/2009


mar 3 2009

A Arquitetura da Destruição

Filme documentário, de Peter Cohen, e que apresenta uma idéia, no mínimo, sui generis: o projeto de Adolf Hitler não deu errado, mas sim foi extremamente bem sucedido, já que o que o fracassado pintor austríaco promoveu, e o fez muito bem, foi uma arquitetura da destruição. As idéias de Peter Cohen são coerentes e há um livro dele com o mesmo título e assunto (o qual não li):

1)      A maior influência pessoal sobre Hitler foi exercida por Richard Wagner, notório anti-semita e que desenvolveu, a partir da mitologia hindu-germânica, a idéia de que há beleza na destruição, alguma coisa bastante patente nas principais óperas de Wagner, Parsifal e a quadrilogia do Anel dos Nibelungos.

2)      Hitler jamais teria demonstrado contrariedade com relação aos reveses e mesmo seis meses antes da derrota final dos alemães, aprovava projetos arquitetônicos para a sua cidade adotiva de Linz.

3)      Hitler se inspirava na arquitetura Greco-romana, principalmente na romana, mais grandiloqüente, inclusive preparando e projetando cenários de destruição em prédios que recém inaugurara;

4)      O projeto dele não se restringia a eliminar os judeus e outras minorias, indo, na realidade até um muito maior espectro da população alemã, a qual, segundo Hannah Arendt , deveria exterminar. É só lembrar que após a criação das SA paramilitares, as mesmas foram dizimadas pelas SS, numa roda de destruição que não teria fim, onda após onda de destruição se interpondo.

5)      Certamente Hitler se via como um enviado para purgar o mundo de seus males, mas nunca imaginou que conseguiria escapar da purgação.

A personalidade de Hitler era completamente esquisita e não podemos deixar de lembrar que ele, um pintor fracassado, tendo seus trabalhos sido recusados por importante escola de Belas Artes, e ele pode muito ter planejado uma vingança pela utilização simultânea do poderio bélico e arquitetura do Terceiro Reich, esta última a cargo de seu mais fiel companheiro, Rudolf Hess. Quem puder, assista ao filme e confira.

RP

Originalmente postado em 15/12/2008


mar 3 2009

A Zona de Conforto

Nós todos temos o que se chama uma zona de conforto e que é uma tendência em todos nós a procurar o mais fácil caminho para realizar a nossa meta ou objetivo. Outro dia, nestes canais a cabo (Animal Planet) vi que um tigre tenta 20 vezes pegar a sua presa, só conseguindo alcança-la uma vez nestas 20 tentativas. Ele não fica parado esperando que a corça ou o veado passe à sua frente e se apresente: bom dia senhor tigre, o senhor quer me devorar? Quer começar por onde? Pela jugular? Isto , nem nas fábulas de Esopo ou de La Fontaine. Nietzsche, o grande demolidor alemão, já dizia que o ser humano é regido pelo medo e pela preguiça. Exageros à parte, penso que o medo é importante, pois é ele que nos preserva de tomarmos atitudes desembestadas, precipitadas (latim para “a cabeça vai primeiro que o corpo”, o que não é nunca aconselhável) e que podem comprometer a nossa integridade física. Sem um pouco de medo, de receio, faríamos coisas prejudiciais a nós mesmos e não analisaríamos ou planejaríamos os nossos atos. Assim, é o medo de falhar que dá aquele estresse positivo, aquele friozinho na barriga que o artista sente antes de cantar e o vendedor antes de visitar aquele importante cliente para fechar um importante negócio. Quanto à preguiça, também comum a todos nós, lutamos contra a injunção de Javé a Adão: após o pecado original, toda a tua descendência terá que ganhar o pão de cada dia, com o suor do trabalho, etc., não há como negar que adoraríamos ficarmos todos ao sol à beira de uma piscina esperando que nos trouxessem comida, bebidas, aperitivos, esperando o gerente do banco trazer nosso talonário, dinheiro, perguntar se não queremos um empréstimo a juros zero, etc. Mas o mundo não é assim e penso que há nos dias de hoje, com tecnologia para dar e vender para todos, um risco adicional, que é o de acharmos que a tecnologia ajuda a fazer com que precisemos sair menos para visitar clientes, para estar lá junto ao cliente, não precisando se deslocar , que tudo se resolve por telefone ou , pior, por e-mail, etc. Isto é um erro – e grave - que devemos evitar, pois, na comunicação, e não há nada melhor do que a comunicação pessoal cliente vendedor, a presença ganha disparado do telefonema e do e-mail, pois é só na frente do cliente, neste contato pessoal , que conseguimos perceber sua linguagem corporal, seus sentimentos para conosco, ouvir suas ansiedades, suas queixas, seus objetivos, demonstrando real interesse por seus problemas, os quais tentaremos resolver. Por isso, fica aqui uma dica: visita é muito melhor que telefonema que é muito melhor do que e-mail. Não há uma única visita improdutiva, que é a única maneira que temos para nos aproximar da realidade do cliente. O resto é medo e preguiça.

RP     

Originalmente postado em 15/12/2008   


mar 2 2009

Férias

Nosso querido Roberto Procopio, autor dos textos desse blog, estará de férias até a próxima semana. Por esse motivo faremos uma republicação dos melhores textos, claro, na minha opinião.

Abraços a todos.

Raquel Espigado.


fev 28 2009

A importância de estar “antenado”

No filme “Circulo de fogo”, que trata do cerco à cidade russa de Stalingrado, na Segunda Guerra Mundial, o principal atirador de elite da Rússia e o principal da Alemanha travam  batalha particular, na qual a supremacia do lado vitorioso neste confronto pessoal, seria simbolizada pela vitória de um deles, o que, é claro, implicaria na morte do outro.

As ações táticas são cautelosas, cada um evitando ao máximo ser previsível ao outro, o que implicaria num maior risco de morte, já que os caminhos seriam previamente conhecidos e passíveis de serem previamente tocaiados. Quando o atirador alemão inadvertidamente se expõe ao russo, este tem um pequeno cochilo no exato momento em que o russo passa à sua frente. Na segunda oportunidade que se oferece, o russo mata o seu oponente.

A mesma coisa ocorre na área de vendas. É bastante comum não mantermos a atenção durante todo o processo de vendas, deixando que muitos detalhes importantes escapem ao nosso controle, o que, como no caso dos atiradores do filme, pode ter implicações bastante sérias, levando a uma perda de uma venda certa em função da não atenção a detalhes e temas importantes ao fechamento. O bom vendedor tem que estar continuamente antenado ao processo de vendas, percebendo e guardando todas as informações importantes, o que exige disciplina, disposição e uma percepção bastante aguda do que está à sua volta, seja no ambiente do prospect, seja no ambiente da empresa onde trabalha. Mas, de modo bem diferente do que ocorreu no filme, não se arrisca a vida e sim uma venda, o que não deixa de representar um incentivo para fazer a coisa certa, que é estar “antenado” ao processo.

Boa semana de vendas a todos!

Roberto Procopio