Lanterna na Popa
Tenho lido alguns livros sobre a mais recente crise financeira mundial; fico impressionado não pela incapacidade de especialistas como Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia de 2008, Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve Americano, e Fareed Zakaria, âncora da CNN e articulista da Newsweek, fazerem previsões sobre o futuro, alguma coisa que nunca é fácil, mas sim pela dificuldade de explicarem o que ocorreu no passado próximo, tendo em vista o nível de detalhe em que entram e a complexidade das fórmulas explicativas, que parecem um milheiro de exceções em meio a uma dezena de regras.
Lembro-me do livro autobiográfico da autoria do economista Roberto Campos, o famigerado Bob Fields queridinho dos governos militares, e que se intitula “Lanterna na Popa”. A frase é de Samuel Coleridge e significa a dificuldade que todos temos em tentar explicar fatos recém ocorridos, explicação que só conseguimos dar de forma bastante frágil e insegura, quando os fatos já passaram por nós, surpreendendo-nos; é como se estivéssemos em um pequeno barco em mar aberto, onde, segurando tremulamente uma lanterna na popa, vislumbramos de modo incerto e tentativo o que atingiu o barco.
Roberto Procópio