Expressões, gestos e emoção.
Há muito tempo um amigo de trabalho fez uma brincadeira comigo, que só muitos anos depois vim a descobrir e decifrar sobre o que ele estava falando. Dizia que havia determinado estágio na involução humana - isto mesmo involução e não evolução – em que determinados indivíduos tinham uma postura corporal que os fazia passar o braço esquerdo por sobre a cabeça, repousando a mão esquerda sobre o lado direito da cabeça. Dizia ele que isto era o que havia de mais primitivo na postura humana.
Fiquei com aquele comentário dele registrado em mim por um bom tempo e só vim descobrir e decifrar o enigma depois de uns cinco anos: percebi que o Bardus, esse é o seu nome, referia-se a mim, pois quando estou pensando e extremamente concentrado tenho por hábito passar o braço esquerdo para o lado direito, por cima da cabeça, etc. Quando li recentemente o livro de Darwin que trata do assunto e se intitula “A expressão das emoções no Homem e nos animais”, percebi que este tipo de gesto meu é bastante comum em chimpanzés e bonobos, dentre muitos outros gestos e posturas assemelhados que temos com vários tipos de animais, o que tem levado a uma expansão do conceito de humano, não mais atinente apenas a nós, mas a todos aqueles que conseguem se importar com o outro.
Afinal, o que mais humano e emotivo do que o olhar de um cachorro de estimação, ou o canto de um pássaro quando voltamos para casa, ou a encostada que nosso gato nos dá, com a lateral de seu corpo, demonstrando, diz Darwin, que está desarmado se oferecendo em carinho para nós?
Roberto Procopio