“Odeio Televisão!”

É esta a frase pichada que leio quase todos os dias numa grande avenida de São Paulo e que me levou a refletir bastante sobre ela. Em primeiro lugar, embora não seja um grande espectador de TV – devo assistir uma média de uma hora diária de televisão – penso que há muita coisa boa na televisão brasileira que devemos sim acompanhar, não vendo a mesma apenas como um órgão massificador e estupidificante de pessoas, o que, em boa parte, ela é. Não consigo assistir o Faustão, por exemplo, sem ter a impressão de que há um idiota sentado à frente do aparelho. 

Penso que a frase tem uma face oculta, já que quem odeia está, em função deste ódio, preservando uma relação de proximidade com a TV. Não se pode odiar o que não está próximo, não é mesmo? Ou seja, parodiando César Becaria, a função da proximidade é manter o ódio, demonstrando que, pela proximidade, há uma atração pelo objeto odiado. Se me afasto, deixo de odiar. Se odeio, é por que estou e me conservo sempre próximo ao objeto amad….ooops  odiado.

Roberto Procopio


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