Spinoza
Li seu principal livro há alguns anos e impressionei-me principalmente com o exemplo de vida do sábio holandês de origem espanhola. Seu pai Baruch Spinoza emigrou da Espanha para a Holanda, para assim escapar aos excessos da Inquisição na península Ibérica, mas o filho desenvolveu desde cedo um espírito altivo e independente, não se apegando a nenhuma fé religiosa específica, desenvolvendo um conceito próprio de divindade, uma divindade impessoal, pensamento anátema para os judeus, que o excomungaram da fé hebraica.
A excomunhão no judaísmo é bem mais barra-pesada do que no catolicismo, uma cerimônia de grande humilhação ao anatemizado, à qual Spinoza respondeu com um ascetismo pessoal à toda prova, colocando-se acima de qualquer julgamento e ação, dedicando-se ao seu ofício de especialista em lentes ópticas.
O ascetismo pessoal de Spinoza, e a sua crença numa força superior não pessoal, sensibilizaram muitos ocidentais, principalmente entre os cientistas, e o credo de Spinoza foi adotado por eminentes cientistas da física e da matemática do século XX como Albert Einstein, Bertrand Russell e Robert Oppenheimer.
Para mim, de Spinoza fica a impressão de uma pessoal sem amargura e que encontrou a paz interior, vivendo uma vida simples e sem apego a bens materiais.
Roberto Procopio