O baixo clero tinha razão!
A ópera Carmina Burana é a combinação da música de Carl Orff com os textos escolhidos pelo maestro austríaco e que foram escritos por clérigos beneditinos dos séculos XIII adiante, sendo de autoria em parte conhecida, em parte desconhecida. O baixo clero era constituído por candidatos às funções sacerdotais mais elevadas e que tinham menos obrigações litúrgicas, vivendo em uma zona intermediária de onde poderiam ascender, permanecer ou serem ejetados de volta à vida secular ou civil. Os textos são profanos, ou seja, tratam de assuntos que não poderiam ser discutidos, o amor, a paixão, as emoções, a beleza de um colo de uma donzela, etc., e são inauguradores do movimento romântico posterior à Idade Média.
Todavia, o tema mais polêmico não era o vislumbre de um decote mais ousado e sim a incerteza de uma vida comandada pela roda da Fortuna, desconectada de uma lógica ou causação divina, conforme mandava o ordenamento católico.
Li recentemente o livro de Paul Krugman sobre a recente crise financeira mundial, no qual o Prêmio Nobel de Economia de 2008 lambasta o ex-presidente do FED americano, Alan Greenspan, pela crise que assola o mundo, ocorrida três anos após a saída de Greenspan do FED, e que, segundo Krugman, deveu-se à não intervenção do ex Guardião das Finanças Mundiais para conter as bolhas dos mercados imobiliários e de ações que já se formavam há muito tempo, e que eram do conhecimento de todos os especialistas.
Não sei quem tem razão na história, mas uma coisa concluo com o baixo clero beneditino que escreveu as Canções da Casa Pequena : a glória é efêmera e, se há alguns anos Greenspan era tido como o mago das Finanças mundiais, hoje já há quem , como Krugman, o compare a um sortudo que nada fez para merecer o prestígio e a fama que granjeou como presidente do Banco Central americano.
Roberto Procopio