O caminho do Inferno…
Está pavimentado de boas intenções, diz o provérbio. Isso parece especialmente correto no caso das, assim chamadas, drogas de substituição, medicamentos criados pela indústria farmacêutica mundial e que se destinam, em princípio, a desintoxicar os dependentes químicos, propiciando um tipo de passe-fácil para a saída da dependência. Países como a Austrália, diz uma especialista, já têm mais de25% da população de jovens como consumidores contumazes de drogas legais e ilegais. Mas parece que, ao lado do pé de anjo, tem um casco fendido e cheiro de enxofre, já que praticamente todas as drogas de saída foram eventualmente incorporadas como drogas de consumo freqüente pelos viciados em entorpecentes, que as assimilam e misturam em coquetéis com outras drogas e álcool, potencializando efeitos inesperados e desconhecidos.
Assim, um das grandes crises existenciais das autoridades mundiais no combate às drogas é o ter de conviver com o mal menor, ou seja, relevar uma e outra droga de relativamente baixo poder de intoxicação, temendo que outra mais pesada e forte se incorpore ao hábito de grandes contingentes de usuários. Isso do lado da União Européia, que adota uma política de convivência com a drogam, que á a de tentar evitar um mal maior, estratégia que não tem nada a ver com a americana, que é a de pura e simplesmente eliminar as fontes de tráfico.
Estudos atuais apontam para o crescente consumo de álcool entre jovens do sexo feminino no Brasil e uma taxa potencial de erradicação (nunca definitiva) do fumo de apenas 30%. Drogas como o ecstasy promovem a rápida depleção dos poderosos estimulantes cerebrais como a serotonina, por exemplo, e o consumo continuado desta substancia, simplesmente exaure as minas de serotonina, deixando os consumidores arreados cerebralmente e em busca desesperada por mais prazer serotônico (sic!).
Como dizia Dante na Divina Comédia, no capítulo do Inferno: “quem aqui entrar, abandone toda a esperança”, motto que pode bem ser adotado por usuários, principalmente os que entram por diversão e que, ao final, acabam encontrando o que jamais esperavam, a depressão e o vazio.
Roberto Procopio