O salto no escuro

Passados cerca de cinco mil anos desde que as primeiras civilizações estabeleceram-se em vários pontos do globo, o ser humano continua não conseguindo responder as perguntas mais básicas. Penso que isto faz parte do plano original, do design do Criador, seja Ele pessoal ou impessoal, e mesmo que entendamos este design ou plano de uma forma caótica, incompreensível.

Sempre que procuramos encontrar um sentido, uma teleologia nas manifestações terrestres, nos deparamos com uma interrogação: por que isto ocorre? como isto ocorre? etc. Nem a Filosofia, destinada a encontrar um objeto que , por definição, escapa ao caçador, nem a Ciência, voltada à busca de um objeto único acima de quaisquer sujeitos e interpretações, conseguiram desinquietar o ser humano, o mesmo ocorrendo com as Ciências Sociais, que teve seus esforços malogrados sempre que procurou um Homem racional e cem por cento explicável e previsível. Quanto à Religião, ela perde pontos sempre que se afasta do conceito de altar e de porta para realidades necessariamente incompreensíveis, e que têm sua riqueza e justificação justamente neste formato de lidar com um objeto inalcançável, assim valorizando os aspectos litúrgicos religiosos.

Assim, a Religião e a Filosofia têm uma certa semelhança, já que as duas, por definição, têm objetos inalcançáveis, embora o salto no escuro da primeira seja mais longo do que o da segunda.

Roberto Procopio            


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