A Fonte de Adriano
Na expedição com duração de cinco anos do navio britânico Beagle pela America do Sul, África, Oceania e Caribe, uma das mais importantes tarefas, além de mapear todos os portos, baías, reentrâncias das costas visitadas, a fim de garantir a supremacia militar e comercial britânica, que até então se apoiava, em boa parte, em pouco confiáveis e imprecisos mapas espanhóis, franceses e portugueses, foi a de devolver ao território sul-americana, atual costa Argentina, três indígenas locais e que haviam passado os sete últimos anos na corte Inglesa.
A idéia era a de infundir nos três (na realidade quatro, já que um deles morreu em território inglês) os valores da elevada civilização inglesa, que conhecia então o ápice de seu poderio bélico e comercial, que prevaleceu por todo o século XIX. Todos os três haviam recebido lições de etiqueta, haviam aprendido o idioma, que falavam de forma perfeita, adotando os hábitos refinados da nobreza e burguesia local, bem como nomes ingleses. A expectativa era grande: conseguiriam estes novos cidadãos ingleses passar aos seus os valores superiores da cultura européia? Não há dúvida, um espetacular e audacioso experimento de engenharia social.
Chegando à costa onde deveriam aportar, era assim grande a ansiedade, logo desfeita ao se ver que um dos três, ao ver as pessoas conhecidas que havia deixado, tirou todas as roupas que vestia e mergulhou no mar em direção à costa e aos seus. Todos os três abandonaram seus hábitos ingleses e se misturaram imediatamente à sua tribo, deixando os britânicos de queixo caído.
Não lembra um pouco esta estória do nosso craque de futebol, Adriano, o Imperador?