As drosófilas

Embora admire muito o trabalho científico, nas mais diversas áreas do conhecimento, reservo-me o direito de ser bastante cético com relação ao comportamento extremado de alguns cientistas, que, em função de suas descobertas, Prometeus e Ícaros modernos, imaginam ter ascendido a alturas próprias aos deuses, esquecendo que o anjo decaído, Lúcifer, foi punido justamente em função do pecado da inveja, que é o que parece acometer alguns dos nada humildes cientistas modernos. Esse sentimento de plenipotenciários do conhecimento, é, não há dúvida, ainda um resquício de um fervor racionalista e que herdamos das Luzes da Idade Moderna, que ruiu nas hecatombes dos séculos XX e XXI.

Não há dúvida que foram marcados tentos importantes, por exemplo, com a descoberta da existência e estrutura helicoidal do DNA (humano e dos demais seres vivos), assim como o seu mapeamento no projeto Genoma e nos apressados projetos da iniciativa privada da Celera Genomics e que almejavam, estes últimos, patentear seqüenciamentos genéticos, dilema politicamente resolvido na administração de Bill Clinton. Questões éticas à parte, fiquei maravilhado em saber que a coisa não é tão simples assim, e que há ainda muito a se fazer para entender como funcionam os genes. Fiquei especialmente pasmo ao saber que existem genes ou códigos genéticos responsáveis pela construção do corpo, por exemplo, de uma drosófila, aquela mosca que ronda as frutas e que se tornou uma espécie da escolha para experiências de laboratório e que, se movidos para outros organismos, por exemplo para uma abelha, exercem a mesma função nesta última, ou seja, dá apoio à construção ou formação de uma abelha. Maravilhoso não?

Aos que tanto insistem que há uma programação genética por detrás disso tudo, como se isso respondesse a tudo, pergunto: se há uma programação, quem é o programador?

Roberto Procopio

    


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