Gênio e ingênuo.

Robert Oppenheimer ficou conhecido como o pai da bomba atômica, já que foi responsável pela direção do trabalho técnico-científico na cidade americana de Los Alamos, no Novo México, e que culminou na produção das duas bombas que foram lançadas em 1945 sobre o Japão. Embora não tivesse o gênio criativo de um Albert Einstein ou de Niels Bohr, os dois principais físicos do século XX, Oppenheimer conseguia despertar nas pessoas o poder criativo de cada uma delas, sendo dono de uma personalidade irradiante, que, justamente em função disso, arregimentou muitos amigos e muitos inimigos.

Foi constantemente perseguido pelos serviços de segurança americanos (FBI) até ter cassada sua licença de acesso às informações sigilosas sobre o desenvolvimento de armas nucleares. Não mostrou, todavia, a blindagem necessária para enfrentar os inquéritos armados contra ele em função de sua antiga simpatia pelo comunismo stalinista, que recantou, mas da qual jamais conseguiu se dissociar. Sua esposa Kitty, também ex-simpatizante da URSS, ajudou a compor um quadro de um casal comunista num Estados Unidos acossado pelo terror persecutório da época do pós-guerra,  conhecido como mccarthismo. Nos inquéritos, sempre conduzidos de modo ambíguo e confiando na boa fé dos depoentes, Robert se mostrou como extremamente ingênuo, emitindo julgamentos e pareceres que extrapolavam a sua área de ação e que, finalmente, acabaram por entregar aos órgãos públicos de segurança os nomes dos amigos que tinham afiliação ao comunismo.

Parece que o que sobrava de genialidade de um lado faltava de outro e o próprio cientista reconheceu que não conseguia explicar racionalmente a sua atitude frente aos inquisidores, agindo irracionalmente e com os nervos à flor da pele. O gênio era ingênuo.

Roberto procopio     

 


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