Caranguejos?

Sempre tive a impressão de que nós brasileiros somos bastante rápidos na entrega de detalhes de nossas vidas aos estrangeiros que aqui aportam, já de cara dizendo quantos filhos temos, se somos casados ou não, quais líderes estrangeiros admiramos, conjuntos idem, e assim por diante. Atribuo isso, e já o vimos em algum outro lugar, à nossa necessidade de validação por outros, já que, na realidade, viemos da Europa e perdemos os laços com a nossa casa matriz, que procuramos sempre reforçar. Penso, por outro lado, que esta nossa entrega é também meio maliciosa já que pode também estar ligada a aquele nosso lado oportunista, de matriz colonial portuguesa, e que procurava relacionamentos rápidos, para deles tirar proveito e lucro e poder voltar para a matriz colonial, nobre e rico, mas com pouco trabalho árduo, físico, demorado, essencialmente baseado num relacionamento comercial superficial, uma coisa que, penso, perdura até hoje como traço característico de nossa vida social, interesseira e voltada ao lucro comercial rápido. Como temos que ficar por aqui mesmo, já que nosso Portugal é aqui, penso que nos tornamos ainda mais oportunistas do que os nossos pais portugueses, cobrando ao estrangeiro, e de nós mesmos, um preço ainda maior deste degredo com relação ao modelo original, que era o de caranguejos a arranhar a costa, conforme a fértil imaginação do nosso Sérgio Buarque de Holanda, o pai do Chico.

Roberto Procopio


2 Responses to “Caranguejos?”

  • Andresa Says:

    Durante dois anos e meio, tomei diariamente sete conduções. Neste percurso de ida e volta, notei que os pulistas têm mesmo grande facilidade de se relacionarem. E outro fator positivo, não se negam a ajudar a quem precisa. Li alhures que São Paulo é uma das capitais mais acolhedoras diferente de Paris e Londres. Devemos admirar esse traço tão positivo pois São Paulo é uma megalópolis, difícil de se morar.

  • RP Says:

    È verdade Andresa! Penso que isso se deve aos nossos ascendentes portugueses.
    rp

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