O espelho e o corpo
Penso que todo mundo já se viu muito no espelho, de dia ao acordar, ao escovar os dentes, no espelho retrovisor interno, externo, na fachada do prédio onde trabalhamos, no hall, no elevador, e assim por diante e, é claro, continuamos a nos ver no espelho, já que fazemos parte de uma sociedade de espelhos, das fotos, espelhos ou instantâneos do passado, sem a carga do presente que não sabe o futuro imediato ou mediato, sociedade que sempre nos devolve o que queremos do ambiente e dos outros, que é a nossa imagem, o eco visual de nós mesmos, que é o porquê, a razão do espelho, a melhor das imagens, o melhor dos sons visuais. Não nos cansamos do espelho, mas o espelho é segundo, não começa nada, apenas reflete algo anterior. Precisamos ir além, na origem, no fato primordial, no corpo, marcá-lo e esquecer ao menos um pouco do espelho, ver diretamente, não através de um segundo, mas sim diretamente, onde quer que estejamos, marcar e ferir as mãos, os braços, o cotovelo, as pernas, o pé, os dedos, mas surge o lado escuro do corpo, as costas, o pescoço, o nariz, a cabeça. Penso que todo mundo já se viu muito no espelho.
RP
fevereiro 13th, 2009 at 15:53
Há muitos,muitos espelhos em nossa vida. Os olhos não são os espelhos de nossas almas? Quando são limpídos refletem, toda a beleza do intímo das pessoas? E os lagos, rios, mesmo as poças d’água não são onde a natureza se espelha? E os milhares de estrelas em uma noite clara não nos dão o espelho do universo? E um belo luar, não é também onde a Lua se espelha na Terra? E mais banalmente, o que fariam as mulheres sem espelhos para se certificarem de sua beleza? E os olhos da Capitú, eram todos um jogo pertubador de espelhos?
fevereiro 13th, 2009 at 16:34
É verdade! Na vida, tudo é especulação!
roberto