Comecei a ler os livros de Zygmunt Bauman apenas há um ano e ele já é um dos autores que mais li em toda a minha vida. Como sou compulsivo com o que faço, guardadas as devidas proporções, seguindo um pouco o exemplo de John Maynard Keynes, que fazia o mesmo, anoto tudo o que leio, ou seja, listo os nomes dos livros e autores que li desde 1998. O pirado do Paulo Coelho, diz-nos o seu biógrafo Fernando Morais, fazia o mesmo. Do Bauman li 10 livros, e penso que só perde, no quesito autores que li, para o Freud e o Marx, de quem li um pouco mais, embora não seja seguidor de nenhum deles.
O que admiro no Bauman é a sua capacidade para, como Leonardo da Vinci, de uma única observação, fazer um tratado ou um discurso sobre o objeto vislumbrado, real no caso do grande artista plástico florentino, social e das relações humanas no caso do sociólogo, como Joseph Conrad, polonês e inglês. Esta capacidade de Bauman é equivalente na Sociologia, e ele é muito mais do que sociólogo, como se isso não bastasse, ao poder de observação de um Charles Darwin na Biologia e de um Isaac Newton na Física Mecânica. No caso de Einstein, o gênio alemão (suíço , americano, apátrida), ele tinha as suas idéias a partir de processos intuitivos mentais, raramente valendo-se de ferramental científico que o induzisse a elas.
Admiro ainda em Bauman algumas coisas: ele parece que adquiriu aquilo que já era hábito no Albert Einstein menino, o de falar apenas coisas que ele tivesse mentalmente repassado, ou sussurrado para si mesmo, ao menos três vezes. Nada em Bauman parece excessivo e tudo vem na hora certa, qualidade que também vi no pouco que li de Joseph Ratzinger. Ainda sobre o pensador polaco, admiro nele sua capacidade de valorizar a obra e o pensamento de outros filósofos, especialmente os contemporâneos. Ler Bauman é ler Levinas, Rorty, Baudrillard, Beck, etc. citados inúmeras vezes e dos quais Bauman extrai e amplia para uma série de conclusões juvenis, ou seja, conclusões como se fosse um jovem que estivesse vivendo o que fala, quando já está bem adentrado nos 80 anos de sua vida, 83 para ser mais preciso.
Para finalizar, embora em alguns de seu livros sobre a Pós-Modernidade possamos entendê-lo como sendo de uma objetividade cruel, em alguns deles, a partir de Emmanuel Levinas, ele trata bastante e bem da questão da moralidade humana, da preocupação com o Outro, que é quando se resolvem (pela ansiedade perene) os dilemas da vida humana.
Roberto Procopio