jan 30 2009

The Swordless Samurai

Escrito por Kitami Masao e adaptado pelo americano Tim Clark, é mais um daqueles livros que traz a vida dos samurais japoneses, exemplos de comportamento ditado pela tradição, para o mundo atual dos negócios. Mas, não nos enganemos pelos rótulos: embora forçando um pouco as associações entre o mundo da arte da guerra e o dos negócios de hoje em dia, o livro, escrito em um inglês bastante simples e compreensível, é muito bom, e pode mesmo ser adotado como uma manual de procedimentos de estratégia de negócios e de regras de ética e comportamento. Um índice referencial, assim como uma excelente introdução escrita por Tim Clark, também ajuda muito a entender os costumes, hierarquia e tradição do Japão milenar.

“O Samurai sem espada” mostra a vida de Toyotomi Hideyoshi, que, em função de sua feiúra, passou a ser conhecido como o Macaco, camponês miserável que, através da astúcia e da arte de servir ao seu líder, assim dispensando os requisitos de nobreza necessários à ascensão ao importante cargo de samurai, chegou a unificar e dominar o Japão do século XVI, após o período conhecido como o das Guerras dos Samurais.

O livro é leitura indispensável aos que pretendem conseguir a coerência no que fazem, seja na vida diária, seja no mundo de negócios de hoje, tão enfraquecido pelas recentes crises de confiança em seus líderes, que se deixaram iludir por armadilhas para as quais Hideyoshi nos chama a atenção com bastante vigor e clareza, reconhecendo que ele próprio se enfraqueceu por ter sido seduzido por tais tentações.

“O Samurai sem espada” está disponível em inglês pela Biblioteca Harold Chimp.

Roberto procopio

 


jan 25 2009

O Reino do amanhã

Romance pós-moderno recentemente lançado e da autoria do sempre polêmico escritor inglês J.G. Ballard, só poderia mesmo surpreender. Na realidade, é um romance policial pós-moderno, com todos os ingredientes do assunto pós-modernidade: violência contra minorias raciais e violência de grupos fascistas que se batem entre si quando faltam oponentes, consumismo, shopping centers, falta de valores na vida pós-moderna, multidões à procura de um líder (qualquer um), consumo de drogas ocupando uma presença menor, talvez por já estar fartamente explorada a sua presença no dia-a-dia da vida na Grã Bretanha de hoje, que o autor não se preocupa mais em explicitá-lo. Também conspícua pela ausência é a não utilização de linguajar pornográfico, já que as passagens de sexo, presença constante nesse tipo de livro, são poucas e bastante contidas e naturais, implicadas, como a demonstrar que o último valor da pós-modernidade não é o sexo e sim a violência por grupos.    

Toda a trama gira em torno de um centro de consumo de uma cidade suburbana e desimportante próxima a Londres e que começa a ganhar notoriedade via a projeção mercadologicamente planejada de sua ascensão como um templo de consumo, o Metro-Centre (sic!), que funciona como um turbilhão na vida da comunidade, que nele vê a única saída para uma vida feliz, felicidade propiciada pelo consumismo desbragado, tudo instigado pelo protagonista marqueteiro que chega à cidade para investigar o assassinato do pai, ex-comandante da aviação comercial, com quem pouco havia convivido, era pessoa pacata e sem inimigos.  Embora tenha o caráter ficcional, assusta a proximidade com que estamos dos fatos narrados, seja lá, seja cá.

O livro é muito bom e está disponível sem custo pela Biblioteca Harold Chimp.

Roberto Procopio

      

 


jan 24 2009

O Clube da Luta – The Fight Club

O livro de Chuck Palahniuk tem quase todos os ingredientes tradicionais da receita de livro da assim  chamada Literatura do Caos, apenas com a ausência de sexo explicito e escatologicamente detalhado, o que é marca registrada de autores como o anônimo Hakim Bey, J.G.Ballard e William Burroughs, assim como de referencia a drogas, também sempre presente nos escritos dos mencionados.

Embora a versão filmada tenha abusado das cenas de violência, a mesma é mais implicada do que explicitada no livro, que foca mais o aspecto dos porquês do uso da violência por parte dos excluídos dos vôos mais altos e que, até aqui, só puderam voar em seus sonhos. Os clubes da luta são constituídos por membros vindos das classes que suportam todos os que vivem o sonho como realidade, e que são as sub-classes de que fala Zygmunt Bauman: os garçons, que urinam ou cospem nos pratos dos abastados; os que trabalham nas salas de projeção dos cinemas, que inserem nos filmes água-com-açúcar imagens de vaginas e pênis de modo subliminar, causando apenas um mal-estar nos espectadores que eles não conseguem entender, e os trabalhadores engravatados que, de saco cheio da vida medíocre que levam, explodem os prédios onde trabalham, matando os chefes e destruindo tudo à volta.

Na minha opinião, o livro poderia ter como sub-título “a revolta do refugo humano”, pois é exatamente disso que se trata, um tremendo tiro de culatra na sociedade moderna, a qual não consegue mais varrer para debaixo do tapete os indesejados e os refugados, o lixo humano que cria e que, hipocritamente, desconhece. Embora o livro e o filme sejam bem parecidos, penso que cada um tem vida e dinâmica própria, valendo sempre a pena serem lidos, vistos repetidamente.

O livro Clube da Luta está disponível em inglês (The Fight Club) pela Biblioteca Harold Chimp.

Roberto Procopio


jan 22 2009

O Futuro de uma Ilusão e outros ensaios

Fazia já uns 5 anos que eu não lia nada de Freud. Semana passada li a coletânea de ensaios que contem alguns dos mais importantes da obra do pensador austríaco. Os principais são O Futuro de uma Ilusão, que trata do futuro da Religião, na concepção sempre pragmática e racionalista do autor, e O Mal-Estar da Civilização, uma das mais célebres obras de Freud e que trata do desajuste do ser humano individual ao modo e as restrições civilizadas à vida diária. Os dois ensaios são dignos de Freud, sempre agregando à sua obra o caráter polêmico e provocativo das idéias, e foram para mim uma boa oportunidade de eu voltar a ter contato direto com as idéias do autor, que revê conceitos em toda a sua obra, já que estes ensaios são obras tardias de Freud. Também imperdível é o ensaio sobre o Fetichismo. Também bastante importante a se assinalar é a contribuição de James Strachey, o tradutor para o inglês e que faz adequado, porém não cansativo apontamento onde encontrar nas Obras Completas que traduziu, a citada referência.   

O livro está disponível sem custo pela Biblioteca Harold Chimp e é leitura imperdível para todos que quiserem entender melhor o século XX.

Roberto Procópio


jan 22 2009

Crash

Há pessoas que têm mais familiaridade com filmes, se ligam na e acompanham mais a sétima Arte, o cinema, o que não é o meu caso, embora veja aqui e acolá algum filme, principalmente se tiver a ver com o assunto pós-modernidade. Tenho desenvolvido desde quando era jovem o hábito de leitura, mas não o hábito de seguir e acompanhar cinema de modo metódico. O Ivan comentou comigo outro dia que havia visto a nova versão do filme Crash e resolvi comprar o livro homônimo e que deu origem ao filme.

O livro, escrito em 1973 pelo britânico J.G.Ballard, que fez um novo prefácio em 1993, faz parte daquele gênero que é denominado de Literatura do Caos, barra pesadíssima em termos de conteúdo, pornográfico ao extremo, um soco no estômago, uma experiência nauseante sobre, na visão do autor, as únicas duas coisas que teriam restado no mundo pós-moderno: sexo e carros, o que dá ensejo e oportunidade para as mais desvairadas e loucas experiências e fantasias sexuais dos protagonistas, que misturam metal retorcido de batidas de carros, planejadas ou não, com sexo de todas as formas, numa celebração ao que restou na idade pós-moderna via planejamento de assassinatos e suicídios totalmente performáticos, cinematográficos, com muito sangue, fezes, esperma, líquidos seminais, vômitos, drogas e tudo o mais a que a literatura do caos se acha no direito de tratar e trata sem pedir licença a ninguém. Para agregar ultraje ao conteúdo, o protagonista Vaughan encena e prepara uma batida de carros espetacular no carro que conduzia a atriz Elizabeth Taylor, por quem Vaughan era fissurado. No quesito enjôo de estomago, acho que Ballard não perde para ninguém, não querendo isso significar, é claro, que o autor não tenha méritos, pois as descrições dele são sempre extremamente criativas e têm aquele caráter de mistério e encanto ao juntar pores-do- sol iluminados pelas luzes da tecnologia e que parecem assumir o lugar da luz natural. Aeroportos, viadutos e estacionamentos são os cenários mais presentes no drama.

Embora leitura necessária, é, ao mesmo tempo, totalmente desaconselhável aos menores de qualquer idade, pois o livro consegue ser mais hardcore do que qualquer biografia de metaleiro do rock. De qualquer forma, há uma mensagem por debaixo do muco e das ferragens e penso que ela é a da tara sexual de um pirado como único valor que restou no mundo dele e de alguns outros mais que, ficamos sabendo no decorrer no livro, começavam a constituir legião, um Clube da Luta da violência e sexo entre metal e carne.

Roberto Procopio 


jan 19 2009

Tributo a um super vendedor

Há uns 13 anos gerenciei uma equipe de vendas de software para o varejo, produtos mais triviais, mas que, como é característica do varejo, tinham uma série de concorrentes à altura. Era um “pega para capar”, “briga de foice” num mercado que briga por margens e prazo, centavo por centavo, dia por dia. Da equipe de umas 10 pessoas, havia um vendedor que se destacava e que era o Mario. O Mario era tão bom que era chamado às empresas compradoras apenas porque os compradores gostavam de conversar com ele,  já que ela muito animado e tinha sempre uma novidade para contar, sempre agregando alguma coisa a quem o recebesse, tornando o seu dia mais feliz.

No meio do ano o Mario já tinha cumprido a meta anual e, infelizmente, faleceu num sábado aos 33 anos de idade em trágico acidente automobilístico, deixando-nos todos enlutados. Fui ao enterro dele no domingo numa cidade do interior do Estado de São Paulo, levando os pêsames de toda a empresa à família enlutada e principalmente aos pais. Foi difícil trabalhar na semana seguinte ao acidente.

No fim do ano, na comemoração do fechamento do ano comercial, recebi a placa que não pode ser entregue ao Mário, o prêmio de melhor vendedor do ano, uma linda placa em acrílico, a qual me comprometi perante todos os colegas a levar aos pais do Mario, que moravam a 180 quilômetros de São Paulo. Foi uma das missões mais difíceis que tive em minha vida, mas ao mesmo tempo sabia que estava levando um símbolo da sua garra e do seu profissionalismo e do seu espírito vitorioso. Ao entregar o troféu aos seus pais, não pude conter as lágrimas e embargar a voz e tenho certeza que aquele troféu representou muito para os pais do meu super vendedor, dos melhores que conheci até hoje.

Roberto Procopio


jan 19 2009

As razões por detrás de um lançamento bem sucedido

Sempre foi uma preocupação minha deixar claro que praticamente todo o sucesso que era a mim atribuído na formatação de negócios ou na realização de metas de vendas tinha apenas uma razão: as pessoas com as quais trabalhei, estas sim as responsáveis pelo atingimento dos resultados. Penso que sempre tive muita sorte neste aspecto, pois sempre encontrei pessoas que se motivavam com desafios e que respondiam à altura, chegando lá.

Certa feita, já há 10 anos, fui encarregado de colocar no ar e no mercado uma operação voltada ao então se iniciando negócio de venda por internet na área de Tecnologia da Informação. A coisa vinha se arrastando há quase um ano e não decolava, não saia do chão, não se apresentava ao mercado em ebulição, e foram-me dados 30 dias para arrematar o começo do negócio, ou seja, colocá-lo no ar, em operação, o que envolvia site, contratos com fornecedores internacionais, treinamento de equipes, mala direta, etc.

Em 40 dias, ou seja, 10 dias a mais do que o prazo dado, a operação foi inaugurada e já com um bom valor em vendas. Fui muito cumprimentado, mas só podia responder que, na realidade, eu era apenas uma peça de um todo maior, que incluía pessoas super competentes e motivadas (o Roberto Paschoali, a Liliana, o Marcelo Zamulko e a Ana Carolina).  Se não fosse por eles, penso que até hoje a coisa não tinha decolado.

A operação continua positiva e operante até hoje e fico orgulhoso em saber que, lá no começo, na origem, há um pouquinho do meu trabalho, assim como de muitos outros desde então.

Roberto Procopio


jan 19 2009

Quando é hora de passar o bastão?

Sempre gostei de trabalhar na montagem de operações novas, o que penso ser alguma característica pessoal minha. Todavia, colocar no ar uma nova operação não dura para sempre, e, muito provavelmente, as razões que me levaram a participar deste tipo de atividade são as mesmas que devem levar a que eu, após a operação estar “up and running” como se diz em inglês, ou seja, estar “positiva e operante”, passe o bastão e a responsabilidade pela mesma para outras pessoas, mais afetas a manter a operação, que, penso, são habilidades diferentes. Se para mim a rotina é alguma coisa difícil, não posso contudo negar que haja valor na manutenção de processos, alguma coisa que a própria injunção bíblica prega: “ter e manter”. È como no casamento: casar é fácil, difícil é manter o casamento, ou, para usar outra analogia, ter filhos é fácil (até mosca os têm, como dizia uma tia minha), o difícil é cuidar deles e fazê-los crescer com responsabilidade para acharem o seu próprio caminho.  Assim, criar e manter são habilidades complementares que podem não estar na mesma pessoa e o que deve ocorrer é que, quem se perceber como eminentemente criativo mas pouco propenso a seguir e manter processos já assentados, deve passar o seu bastão adiante e procurar outra coisa para iniciar.

Roberto Procopio


jan 19 2009

Com alma ou sem alma?

Uma das polêmicas mais importantes que já adentrou o círculo humano de debates foi quando os europeus, começaram a conquistar e colonizar o globo, o que aconteceu a partir da navegação portuguesa rumo às Índias Orientais (Ceilão, Índia Ocidental), Costa da África, etc. e, posteriormente, tanto pelos espanhóis como pelos portugueses ao continente americano. Se os nativos africanos entranhados nas matas e savanas, salvadas as exceções da conquista religiosa muçulmana, fé religiosa que se espalhou com facilidade pelo continente africano, eram tidos como selvagens pelos colonizadores, o mesmo não ocorria com os habitantes das Índias Orientais, já que os mesmos, de extração árabe e de fé muçulmana, já pugnavam com os portugueses pelo domínio do comércio mundial. A escravidão já corria solta nas ilhas da Madeira e dos Açores e os portugueses não tinham duvidas de que os indivíduos de pele escura que traziam para a agricultura da cana de açúcar e para as lides domésticas lhes eram inferiores em costumes e religião. Mas cabia uma pergunta: esses indivíduos tinham alma? A pergunta que não queria calar, e que cada vez mais passou a incomodar, passou a se tornar uma interrogação ainda maior quando da conquista e colonização das Américas, materializada na escravidão dos aborígenes, os nossos silvícolas, os quais, rezava a regra, só poderíamos submeter se tivessem alma, o que, entendia-se, daria uma carta branca para portugueses, espanhóis e franceses fazer deles o que quisessem, já que não seriam mais do que animais a nós semelhantes mas diferentes quanto a este aspecto fundamental. Filósofos de renome , como o alemão Hegel, por exemplo, se conspurcaram para sempre ao afirmar a inexistência de alma nos silvícolas, daí ensejando a exploração e as barbaridades cometidas pela civilização ocidental que aqui chegava.

O debate encarniçado é retratado de forma simples e acessível no livro “Aprender Antropologia”, de François Laplantine, disponível, sem custo pela Biblioteca Harold Chimp.

Roberto Procopio      


jan 19 2009

Apple: encantamento numa experiência de venda

O Daniel Martinez, um muito competente Gerente de Vendas de produtos e serviços de TI em Colômbia, deu um testemunho de uma experiência pessoal dele de compra numa das lojas da Apple em Bogotá, uma experiência por sinal muito bem sucedida e da qual ele saiu encantado com o atendimento, exposição do produto, disponibilidade de testes, etc. Lembrando que são mais de 1.000 lojas Apple no mundo todo, fica a pergunta que Daniel fez : como que Steve Jobs consegue infundir este tipo de atitude positiva em seus vendedores, já que (eu agrego) ele é conhecido por sua personalidade difícil e até por, vez por outra desancar, humilhar uma pessoa na frente das outras, dizendo que ela é uma idiota, que não é criativa e coisas deste tipo, praticando o famigerado assédio moral? Sinceramente, não saberia responder, mas, tentando uma resposta, será que é por que Steve Jobs passa a idéia aos seus funcionários de que ele sabe o que está fazendo, que aquela braveza toda é sinal de que ele é seguro sobre o rumo aonde está levando as pessoas que trabalham com ele, garantindo a elas um futuro seguro, ao contrário do seu antecessor imediato, John Sculley, que, ao final do seu mandato, já havia deixado a empresa num torpor hedonista em que tudo era aceito e que quase à levou à falência? Só para agregar outro ponto de intriga, na Apple, é isso que o livro nos demonstra, ninguém tem certeza se será demitido no próximo minuto, mas, não haja dúvidas de que a empresa é hoje, novamente, uma marca de sucesso, com valor de mercado bastante atrativo. Quem se arrisca a opinar?

Roberto Procopio


jan 19 2009

A cabeça de Lou Gestner

Em outro comentário abordei um livro que tenta explicar a cabeça, a mente, do fundador da Apple e o homem que comandou o seu reerguimento há uns 10 anos, Steve Jobs. O livro se intitula ”A Cabeça de Steve Jobs” e está disponível pela Biblioteca Harold Chimp sem custo. Embora ache que há muito de trabalho de equipe e não apenas o trabalho das assim chamadas personalidades  (as celebridades) do mundo de negócios, não há dúvida de que algumas pessoas incorporam uma série de valores essenciais e que são decisivos em momentos de mudança. Uma dessas pessoas é Lou Gestner, que foi CEO (chief executive officer) da IBM e que presidiu a virada da empresa americana de uma empresa produtora de bens de tecnologia para uma empresa vendedora de serviços de tecnologia.  Parece simples mas não é e os desafios eram enormes, principalmente se entendermos, e o livro “Quem disse que os elefantes não dançam?” explica bem isso, que as necessidades financeiras de um e outro negócio são totalmente diferentes, sendo o negócio de serviços extremamente intensivo tanto de mão de obra super qualificada em TI (tecnologia da informação) quanto em recursos financeiros, já que a mão de obra deve ser financiada enquanto o recebimento dos valores relativos aos serviços prestados não vem.  Não podemos esquecer, e o livro também não nos deixa esquecer, que a IBM à época já era uma empresa cah strapped, ou seja, com fluxo de caixa comprometido e que, para mudar, precisaria ainda de mais dinheiro e fontes de financiamento.  Tudo isso é muito bom para que se baixe um pouco a bola de todos aqueles que pensam que são apenas as empresas pequenas ou brasileiras que têm problemas de caixa, o mesmo tendo ocorrido com a IBM, uma das maiores marcas mundiais.

Para quem se interessar, o livro “Quem disse que os elefantes não dançam?” está também disponível pela Biblioteca Harold Chimp, sem custo.

Roberto Procopio   


jan 19 2009

Morte anunciada

Liguei para o meu banco para fazer um pagamento de boleto bancário e a atendente atenciosa me informou que a partir do último dia 12, ou seja, há três dias, esse pagamento só poderia ser feito por um procedimento automático, o que dispensaria o concurso e ajuda dela. No Rodoanel encontramos atendentes também bastante solícitos (as) que falam das vantagens do “Passe Fácil”, aquele sistema que dispensa o pagamento na cabine, etc. O atendimento automático da NET já corta muito do atendimento humano para um atendimento automatizado, simulando até que razoavelmente, um interlocutor humano. Quanto ao pedágio e ao banco, não se trata de uma morte anunciada de mais um emprego? É realmente estranha essa pós-modernidade e essa globalização: fazem-nos encenar a própria morte do nosso emprego!

Roberto Procopio 


jan 5 2009

Slash

Slash,

Do ex guitarrista do Guns N Roses, é mais uma das biografias da série “Sexo, Drogas e Rock and Roll”. Junto como o livro Heroína e Rock And Roll, do Nixx Sixx, do Motley Crue, pode ser classificado na categoria HardCore, já que o assunto é sempre muito Sexo, Drogas e muito Rock and Roll.

Inglês com vida fora do controle dos pais desde a mais tenra infância - seus pais eram do meio artístico ligado ao rock da época e Slash conhecia desde jovem várias personalidades do rock, como David Bowie, Ron Wood, etc. - desde os 12 anos de idade o guitarrista experimentou de tudo, passando mais à frente a utilizar heroína injetável, sofrendo duas overdoses durante os 15 anos de abuso das drogas e do álcool (até dois litros de vodca diários) e de uma vida on the road, ou seja, com o pé na estrada. Bastante interessante são os conflitos de personalidades dentro da banda, já que tanto Slash como Axl Rose nunca se entenderam e competiam mutuamente com toda a agressividade, conflitos que culminaram com a saída de todos os integrantes originais menos de Axl, que por várias vezes, sem ninguém saber o motivo, não subia ao palco para cantar ou retirava-se após brigar com algum segurança ou alguém da platéia. O episódio mais ilustrativo e barra pesada é quando o amigo de Slash, Todd, morre em seus braços após uma overdose de heroína aplicada pelo inglês. O livro é escrito num estilo que, embora atenuado às vezes, lembra o vocabulário de uma literatura alternativa pós-moderna, meio trash.

É mais um livro disponível sem custo pela Biblioteca Harold Chimp.

Roberto Procopio 


jan 3 2009

A cabeça de Steve Jobs

Escrito por Leander Kahney, editor da revista eletrônica especializada em Tecnologia da Informação Wired.com é um livro apologético a respeito do fundador da Apple e do inventor do Ipod e outros gadgets eletrônicos. Mostra o estilo de gerencia estúpido de Steve Jobs e o culto à sua personalidade, mas não passa muito disso. Steve Jobs, conhecedor da natureza humana, apela muito para uma estratégia de inspiração de medo a sua figura e fama, ao mesmo tempo em que equilibra, com a outra mão, a cenoura de participar em projetos bastante ousados que sua empresa detém, principalmente em design aliado à tecnologia e em publicidade, carros-chefe do sucesso da Apple.

Personalidade egocêntrica de Jobs à parte, o livro tem uma série de bons conceitos sobre gestão, conceitos e idéias e é uma leitura fácil e rápida, já que não tem mais do que 250 páginas. Achei bastante interessante as sessões de discussões internas para a aprovação dos itens aparentemente os mais desimportantes, bem como as sabatinadas que Jobs fazia, suas táticas de desequilibrar seu interlocutor, as quais, mais uma vez, mostram que o homem que fundou e salvou a empresa da crise em que se afundou após a sua saída, é um manipulador de marca maior, mas, é claro, encontra sequiosas ovelhas que querem segui-lo. De qualquer forma, mesmo que seja para aprender a se defender deste tipo de chefe ou líder invasivo, é uma leitura recomendada e que se encontra disponível, sem custo, pela Biblioteca Harold Chimp.

Roberto Procopio


jan 2 2009

O Mago

O livro, escrito por Fernando Morais,  autor de “Chatô” e “Olga”, disponíveis sem custo na Biblioteca Harold Chimp, é uma biografia do escritor e mago Paulo Coelho. Traz muitas informações sobre o também letrista de algumas das músicas de Raul Seixas e é mais um livro que pode ser enquadrado na categoria Sexo, Drogas e Rock & Roll. A juventude do escritor foi perturbada por sérias desavenças com os pais, que, desde os 18 anos dele, o internaram repetidas vezes em um hospício no Rio de Janeiro, onde foi submetido a choque elétrico e do qual fugiu sempre. O quebra-quebra (literalmente) em casa era constante até que os pais desistiram de tentar “acertá-lo”. As viagens psicodélicas eram gravadas e acompanhadas com as namoradas e amigos, e as experiências homossexuais levaram-no a reconhecer que não era esta a sua opção sexual. O escritor agora famoso lutou toda a sua vida para ser conhecido no mundo todo, até conseguir seu intento aos 40 anos, hoje superando a marca dos 100 milhões de livros vendidos, sempre enfrentando a crítica aos livros que publica, em função da aludida, pelos críticos, péssima qualidade literária, ortográfica e gramatical dos mesmos, tudo não passando, segundo Paulo Coelho, de um escritor que, de forma coloquial, se comunica com o seu público. Li alguns poucos livros dele, mas penso que não é o meu tipo de livro, já que fiquei saciado e satisfeito com esse tipo de literatura na minha juventude, a partir dos livros de Carlos Castaneda e que têm um igual propósito, ou seja, o de adentrar no mundo do misticismo e da magia, assunto que já não me interessa.

O que fica como lição deste livro para mim é o tamanho do esforço do escritor brasileiro em conseguir e alcançar o que sempre quis para si na vida, embora eu ache que ele se acovardou em muitas das situações de sua agitada vida (principalmente quando esteve preso com a namorada no DOI –CODI, famoso órgão de repressão política) e tem um caráter pessoal um pouco duvidoso. Em todo o caso, é uma boa leitura, bastante cheia de assuntos polêmicos ( aborto, depressão, doenças mentais, uso de drogas, homossexualismo, sacrifício de animais, magia negra, traição, etc.). Para quem quiser se aventurar, é mais um bom livro disponível sem custo pela Biblioteca Harold Chimp.

Roberto Procopio   

 


jan 2 2009

Pinacoteca e a variedade cultural

Visitei a Pinacoteca do Estado. Gostei de tudo que vi, a começar pelos prédios – sim, são dois! -  que misturam modernidade (por exemplo, o elevador pneumático no pátio) com peças antigas e exposições atuais. O que me chamou também a atenção e despertou a minha perplexidade frente a tanto talento foram algumas das esculturas de Rodin, um desenho de Picasso, bem como as obras do pintor brasileiro Almeida Júnior, retratista mor do nosso caipira, sobre o qual, ensina-nos a curadoria do museu, tem uma visão de elemento de progresso, o que muito me impressionou, salpicado que eu estava pela leitura de Urupês, de Monteiro Lobato. A sua tela “Caipira picando fumo” é muito bonita e dá prá ficar parado em frente à mesma por horas, não fosse o cansaço. A quantidade de pintores e artistas brasileiros de expressão é fenomenal e penso que o que nos falta é apenas o marketing deste talento, pois talento nasce em todo o lugar e só pode ter a visão e o tato das coisas da terra, mas não há como negar a uma Tarsila do Amaral, a um Ismael Nery, a um Volpi (ítalo-brasileiro), a um Benedito Calixto, a Pedro Américo, e muitos etcéteras, o talento que encontramos também alhures. (Ontem, de passagem, peguei a OSESP na TV Cultura regendo uma obra de Francisco Mignone, não saberia dizer qual, mas UAU! O máximo!) Quem puder visitar a Pinacoteca vá, o preço é bem convidativo: R$4,00 uma inteira. Como adicional, uma caminhada no Parque da Luz atrás da Pinacoteca é outra boa pedida, assim como uma laranjada ou um café na cafeteria do museu.  Assim que  possível, volto! Obrigado ao Luiz Roberto pela sugestão da visita.

Roberto Procopio     


jan 1 2009

Vale Tudo – Tim Maia

Do produtor musical Nelson Motta, que acompanha o cenário musical brasileiro e conheceu bem o grande Tim Maia. O livro é um documento valioso sobre a vida e a arte do “Tim Maia do Brasil”, como o cantor gostava de se chamar. O que me chamou a atenção para o livro foi a possibilidade de, como o autor, tentar entender a cabeça do Tim Maia, de cujas músicas gosto, mas não a ponto de comprar um cd ou DVD dele. O livro é muito bom e li em um dia, informando, com conhecimento e isenção, a trajetória do menino suburbano do Rio de talento musical e mesmo empresarial, sua ida ainda jovem para os EUA, sua deportação por furto e posse de drogas, o contato, ainda quando jovem e desconhecido, com talentos contemporâneos seus como Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Eduardo Araújo, dentre outros, a influencia de uns sobre os outros quando ainda batendo às portas dos empresários musicais, e é claro, e este um ponto de interesse forte meu, as experiências de Tim Mais com as drogas e o álcool, consumindo cocaína, maconha e whisky praticamente sem parar, tudo isso aliado a muito sexo, música e comida. O sub-título do livro poderia ser Sexo, Drogas e Brazilian Soul. Acho que as drogas faziam parte da vida dele a tal ponto que não dá para pensar no cantor compositor sem elas, um descontrolado em tudo que fazia, arrastando tudo à sua volta. Vale à pena conferir o livro (disponível sem custo pela Biblioteca Harold Chimp), já que é mais um relato bem explícito sobre a vida de alguém que se alçou às alturas e sempre parecia precisar de mais tudo, e que tinha uma visão apologética (e irresponsável) sobre o uso das drogas.

Roberto procopio    


jan 1 2009

“Ficar” lésbica.

Uma leitora do site, a Bernadete, esteve recentemente numa cidade do interior do Estado de São Paulo onde a moda é “ficar lésbica”, não sei se permanentemente ou “de passagem”, exatamente o sentido do verbo “ficar”, pelo menos na sua acepção pós-moderna (ver “Ficar ou não Ficar”, de Tom Wolfe, disponível na Biblioteca Harold Chimp). O meu interesse aqui não é a preferência sexual de ninguém, mas sim a palavra ficar. Quanto à palavra lésbica, ela provem da ilha de Lesbos, na Grécia, fecunda em poetas, sendo Safo a mais conhecida, com fragmentos de poemas que sobreviveram até os nossos dias (tive o prazer de ouvir o grande Antonio Medina declamar em grego um dos fragmentos de poesias de Safo). Pelos poemas do assim chamado lirismo erótico de Safo, e dirigidos a outras mulheres, a ilha ficou conhecida de todos nós, dando-nos a palavra lésbica, enquanto que o nome da poetisa originou a palavra sáfica, também relativa ao amor entre mulheres.

Será que a ilha de Lesbos encarnou nesta cidadezinha do interior? Penso que, quanto a este aspecto, já temos uma cidade antecessora à cidadezinha do interior paulista, já que São Francisco, na Califórnia, passou a ser conhecida como a cidade gay. Resta apenas saber se, quanto a nossa cidadezinha de interior, é um “ficar” lésbica ou assumir definitivamente lá, nesta cidade, a sua opção sexual. Se for um “ficar”, ou seja, se for temporário, penso que fica claro o caráter de fazer andar a fila das experiências, e, nesse sentido, o livro de Tom Wolfe é muito bacana, já que ele faz uma análise das relações passageiras e modismos da pós-modernidade, da qual é especialista.

Roberto Procopio