Tributo a um super vendedor
Há uns 13 anos gerenciei uma equipe de vendas de software para o varejo, produtos mais triviais, mas que, como é característica do varejo, tinham uma série de concorrentes à altura. Era um “pega para capar”, “briga de foice” num mercado que briga por margens e prazo, centavo por centavo, dia por dia. Da equipe de umas 10 pessoas, havia um vendedor que se destacava e que era o Mario. O Mario era tão bom que era chamado às empresas compradoras apenas porque os compradores gostavam de conversar com ele, já que ela muito animado e tinha sempre uma novidade para contar, sempre agregando alguma coisa a quem o recebesse, tornando o seu dia mais feliz.
No meio do ano o Mario já tinha cumprido a meta anual e, infelizmente, faleceu num sábado aos 33 anos de idade em trágico acidente automobilístico, deixando-nos todos enlutados. Fui ao enterro dele no domingo numa cidade do interior do Estado de São Paulo, levando os pêsames de toda a empresa à família enlutada e principalmente aos pais. Foi difícil trabalhar na semana seguinte ao acidente.
No fim do ano, na comemoração do fechamento do ano comercial, recebi a placa que não pode ser entregue ao Mário, o prêmio de melhor vendedor do ano, uma linda placa em acrílico, a qual me comprometi perante todos os colegas a levar aos pais do Mario, que moravam a 180 quilômetros de São Paulo. Foi uma das missões mais difíceis que tive em minha vida, mas ao mesmo tempo sabia que estava levando um símbolo da sua garra e do seu profissionalismo e do seu espírito vitorioso. Ao entregar o troféu aos seus pais, não pude conter as lágrimas e embargar a voz e tenho certeza que aquele troféu representou muito para os pais do meu super vendedor, dos melhores que conheci até hoje.
Roberto Procopio