De um ponto bem distante, Miguel Ângelo observa (t)s que se movem numa aglomeração (A) de grandes quadrados bojudos e imóveis, ligados entre si por riscos (J) na terra (Q). (A) fica em algum lugar da esfera (E). Miguel Ângelo desenha o que viu mas não identifica nada de forma exata, um relato pictórico bastante confuso. Não sabemos se o que estranhamos é o modo como relata o que vê, ou se são as situações em si, podendo a estranheza ter origem tanto no relato como nas situações. Miguel Ângelo não julga, em vista da imprecisão que cerca tudo que observa. Tudo fica mais confuso quando se o meu relato a seguir, baseado no dele. Tentei evitar emitir juízos; cabe ao leitor verificar se o consegui.
1) Miguel Ângelo vê grandes corpos retangulares imóveis com buracos de entrada/saída de (t)s, os quais chamarei de (L)s. Nos (L)s, em que adentram agitados, os (t)s passam parte do período em que há claridade, de lá saindo não menos agitados, portando vários objetos retangulares envolvidos por uma lâmina delgada, os (o)s, os quais os (t)s levam para dentro de outros corpos retangulares imóveis menores do que os (L)s, com buracos também menores de entrada/saída, os (C)s, onde os (t)s passam durante o período em que há claridade bem como durante o período em que há escuridão, quando se deitam num objeto horizontal (h), do qual só levantam quando reinicia o período de claridade. Para se mover dos (L)s para os (C)s, os (t)s utilizam objetos rápidos, os (X)s, que se movem dentro de (J)s em (Q)s por toda (A). O que está dentro dos (o)s parece atrair magneticamente os (t)s, e eles voltam por várias vezes aos (L)s à procura de novos (os), havendo muitos (L)s por toda (A).
2) Além dos (L)s, existem outros corpos retangulares imóveis bastante grandes e com buracos de entrada/saída, os (P)s, para os quais durante cinco seqüencias de períodos de claridade, cada período de claridade interrompido por um período de escuridão, os (t)s se deslocam, saindo dos (C)s onde passam deitados durante o período de escuridão, se valendo dos (X)s, passando nos (P)s durante todo o período em que há claridade, parecendo que os (P)s têm função diferente dos (C)s e dos (L)s. Nos (P)s, os (t)s adentram agitados e saem de lá praticamente do mesmo modo, mas algumas vezes saem mais agitados. Voltam aos (C)s nos (X)s que se movem nos (J) , pensando em passar em algum (L), pois alguns (L)s funcionam tanto no período em que há claridade quanto no período em que há escuridão.
3) Para se moverem, os (t)s usam os (X)s e Ângelo teve dificuldade em determinar uma hierarquia em (A), quem ou o quê é superior a quem ou o quê, se os (t)s ou os (X)s, bem como quem são os mais importantes (t)s e (X)s, pois parece haver uma escala entre eles e entre todos, alguma coisa de especial interesse a ele, talvez a razão do seu relato. Outro tempo ele viu um (t) acariciar seu (X) após ter se batido ou chocado com outro (t), o qual também parecia defender seu respectivo (X) da batida com outro (t) e do respectivo (X). Miguel parece querer afirmar em seu relato que os (X)s eram mais importantes que os (t)s, mas apagou os desenhos que pareciam contar isso.
4) Em (A), os (t)s, durante o período em que há claridade, ficam dentro dos (C)s sentados frente a objetos retangulares, os (u)s, e depois se deitam em (h)s, praticamente não se aproximando dos (t)s ao lado, que se deitam em diferentes (h)s no mesmo (C), o que parece ter deixado Miguel um pouco confuso, não entendendo porque aqueles (t)s - que não se aproximavam uns dos outros - estavam no mesmo lugar durante o período de escuridão. Ângelo também aqui apagou os desenhos que fez. Observou que os (t)s, quando em (C), se sentam em frente a um objeto com símbolos, os (z)s, nos quais os (t)s batem, e assim devem se comunicar com outros (t)s mais importantes do que os que do mesmo (C) no período de escuridão, parecendo menos agitados ao se comunicar com os distantes do que com os próximos, mas pode ser que eu tenha interpretado de forma errada a simbologia de Miguel Ângelo.
5) Os (t)s observados em (A), carregavam sempre consigo pequenos objetos, os (x)s, dos quais se aproximavam várias vezes - recebendo ou dando ordens é o que Ângelo não nos diz. O que chamou a atenção de Miguel é que os (t)s se aproximam mais destes (x)s do que de outros (t)s, deixando-o novamente em dúvida sobre a hierarquia nesta aglomeração de (t)s, (X)s e (x)s, (P)s, (C)s e (L)s, etc. em (A).
6) Há (t)s que se movem constantemente acima do (Q), dentro de objetos pontiagudos, ficando, durante boa parte do tempo, bem distantes do (Q), deixando todos os outros (t)s bem abaixo deles, o que pode significar a existência de hierarquia, a possibilidade de que os (t)s que se distanciam de (Q) sejam mais importantes do que os (t)s que ficam embaixo. Quando eles descem à (E), ou seja, voltam a (A), parecem estar um pouco mais agitados do que quando saíram de (A), lembrando que o que Miguel Ângelo vê são apenas objetos distantes que parecem se movimentar mais rapidamente quando voltam ao (Q), assim inferindo que estivessem mais agitados a partir de seu movimento. Se há hierarquia entre os (t)s, se esses (t)s que se distanciam do (Q) podem ser reverenciados ou temidos pelos que permanecem em (Q), Miguel Ângelo não pretende se arriscar a afirmar, mas provavelmente diria que são tanto um como o outro, pois novamente apagou comentário anterior.
7) Ficou em mim a ligeira impressão de que alguns (t)s que freqüentavam os (P)s em (A) são abandonáveis, pois outro tempo um número de (t)s que freqüentava por muitos períodos onde há claridade determinado (P) foi colocado para fora, todos agitados na saída, para nunca mais voltarem, passando em seus respectivos (C)s a maior parte do tempo, indo cada vez menos aos (L)s, jamais voltando a qualquer outro (P). Se houver hierarquia em (A), penso que o mais baixo nível deve ser o dos (t)s removidos dos (P)s.
Algo que Miguel Ângelo quase apontou também, pois apagou o que primeiramente anotou, foi o fato de que teria se estabelecido em (A) sistema de reconhecimento entre os (t)s, talvez para não encontrar com (t)s inferiores, todos se isolando dentro de (C)s cercados por retângulos verticais altíssimos, que chamaremos de (G). Há 3 tipos de (G)s, o que leva a conclusão que devem abrigar três tipos diferentes de (t)s.
9) Aparentemente, destes três tipos ou classes de (G)s, há uma destinada aos mais importantes (t)s, e que serve de paradigma aos demais, a classe dos (t)s que saem do (Q), que se distanciam do (Q) de (E), e que parecem se consideram superiores aos demais, o mesmo ocorrendo com a classe intermediária em relação à inferior.
10) Há necessidade constante do que é imediato em (A), os (L)s e os (S)s, o que leva boa parte dos (t)s a recorrer aos mesmos, encontráveis em toda a (A) através dos (x)s.
11) Miguel Ângelo notou rapidez muito grande na circulação de (t)s e de (X)s em (A), como se os (t)s fossem girados cada vez mais rapidamente em (A), dos (C)s para os (P)s, dos (P)s para os (C)s, dos (C)s para os (L)s, dentro de (X)s cada vez mais velozes, e assim por diante, por uma força (F) que não controlam, mas que parece controlar a todos.
12) Miguel Ângelo não apontou em seu relatório qualquer preocupação com tempos à frente, que parece não existir em (A), os (t)s apenas preocupados com o agora, e é exatamente por isso que os (L)s e os (S)s são importantes em (A). Aparentemente tudo em (A) só vive no tempo imediato.
13) Muito importante também em (A) são matérias finas retangulares, cortadas e flexíveis e que trocam de mãos tão rapidamente quanto os (t)s se deslocam com os (X)s e falam nos (x)s, às quais daremos a letra (M). Miguel Ângelo não apontou em seu relatório se o comportamento predominante em (A) também é encontrável em outras aglomerações, ou se fez algum dia observações sobre outras aglomerações.
14) Parece que há uma escala em (A), mas não me arriscaria a tentar decifrá-la, nem encorajo o leitor a fazê-lo.