fev 10 2009

Verde

As multidões que se acocoravam nas calçadas se cruzam e se batem umas às outras sobre as listras brancas da grande avenida cinzenta. O barulho dos carros, dos apitos dos marrons, o zum-zum-zum das palavras quase ininteligíveis das pessoas que se driblam nos dois minutos permitidos, não permite que se entenda quase nada do que falam as duplas ou grupos que dialogam entre si. Mas alguma coisa se escuta, frases soltas e que mostram que quase todos estão de garras armadas, no ataque e na defesa:

“O cara é um idiota, mas ele não sabe com…”.

“Nem se preocupa com isso, deixa o barco…”

“Estou zero, sem nada, fali………..”

Enquanto isso, vrummm, vrummm, priuuuuuu, priullll, uon, uón, uón, os sons onomatopaicos urbanos a tudo circundam, vindo das vias próximas.

“Preparei tudo, não tem como sair sem uma boa …..”

“A posição era minha, mas eu ………”

“Vi o jogo, mas não agüentei ……”

Vermelho!, Vermelho!, Vermelho!

As máquinas que escoiceavam para os atropelamentos das centenas que estavam ali há pouco, como cavalos de corrida ansiando para que as portas se abram e o derby inicie, passam sobre as faixas agora vazias, inconformadas, procurando adiante o próximo pedestre incauto ou suicida que lhes dê um bom motivo para mancharem de vermelho o pavimento da Grande Avenida.  São três minutos de treinamento, de aprimoramento, de especialização, até que vem novamente o sinal verde para o movimento perpendicular dos pedestres que se cruzam e se fintam.

“Eu fugi sem prestar socorro….”

“Olha só o capô daquela Ferrari!!”

“Mergulhei de cabeça….”

Vermelho! Vermelho! Vermelho!      


dez 21 2008

O espelho e o corpo

Penso que todo mundo já se viu muito no espelho, de dia ao acordar, ao escovar os dentes, no espelho retrovisor interno, externo, na fachada do prédio onde trabalhamos, no hall, no elevador, e assim por diante e, é claro, continuamos a nos ver no espelho, já que fazemos parte de uma sociedade de espelhos, das fotos, espelhos ou instantâneos do passado, sem a carga do presente que não sabe o futuro imediato ou mediato, sociedade que sempre nos devolve o que queremos do ambiente e dos outros, que é a nossa imagem, o eco visual de nós mesmos, que é o porquê, a razão do espelho, a melhor das imagens, o melhor dos sons visuais. Não nos cansamos do espelho, mas o espelho é segundo, não começa nada, apenas reflete algo anterior. Precisamos ir além, na origem, no fato primordial, no corpo, marcá-lo e esquecer ao menos um pouco do espelho, ver diretamente, não através de um segundo, mas sim diretamente, onde quer que estejamos, marcar e ferir as mãos, os braços, o cotovelo, as pernas, o pé, os dedos, mas surge o lado escuro do corpo, as costas, o pescoço, o nariz, a cabeça. Penso que todo mundo já se viu muito no espelho.    

RP


dez 18 2008

Experimento

Vi no canal Futura que está sendo feita um experimento na rede de ensino estadual, na cidade de Serrana (SP), cidade que fica perto de Ribeirão Preto, terra do meu pai, também terra do Saulo Gomes, de quem li o livro, Código da Vida, que fala, de passagem, sobre o José Carlos Dias, que é um poeta amador, sobre o poeta Manuel Bandeira, que ainda não li, mas que vou ler, pois conheço muito pouco poesia e preciso melhorar neste quesito, já que poesia é muito importante, e só conheço um pouco de Dante Alighieri, Shakespeare, Camões, mas acho que este último aí já não é só poesia, é ode, uma coisa mais séria, uma maneira de elogiar um povo, por exemplo, Os Lusíadas, ode que homenageia o povo luso, que foi originário em Ulisses, aquele grego da Odisséia e da Ilíada, onde tudo começou, mas que depois, após o império macedônio de Alexandre, foram conquistados pelos romanos, depois pelo Império Romano do Ocidente, Constantinopla, atual Istambul, e depois virou império otomano, que conquistou até Viena ou chegou perto, sendo Viena a terra de grandes compositores e também de Freud, que inventou a psicanálise, e depois gerou uma sucessão involuntária com o Jung, Melanie Klein, que brigava direto com Ana Freud, e Freud foi morar na Inglaterra, que brigou com a França, que “defendeu” Portugal, cujo rei cagão fugiu, se tivesse ficado teria ganho a guerra pois os franceses já estavam cansados e foram escorraçados pelos ingleses, e ai Dom João VI, o cagão, filho de Maria I, a Louca,  fugiu de volta para Portugal, deixando seu filho aqui, Pedro, que virou I, que governou o Brasil, que brigou com o José Bonifácio e depois lhe deu o filho em tutela, e o filho dele , o segundo, brigou com o Barão de Mauá, que era um empreendedor não agrícola, e a verdade é que o café, depois dos ciclos do ouro, da cana, e da borracha, começou a dar certo e principalmente em Ribeirão Preto, que é terra do meu pai, que é perto de Serrana, onde está sendo feito um experimento com o uso de internet na sala de aula. Não sei porque, mas acho que este experimento não vai dar certo.

RP


dez 16 2008

O desencontro

Dia destes o esposo respondeu no fim de noite para a esposa, que lhe perguntou a que horas havia acordado: “acordei 30 minutos depois que você saiu”. “Mentiroso”, pensou ela, fulminando-o com aquela cara que dizia mais do que mil palavras: canalha, crápula, sem-vergonha! De fato, como pode ser isso? Como ele poderia saber que ela saiu tal ou qual hora se ele estava dormindo, já que ter um relógio biológico não tem nada a ver com ter um relógio de pulso, um cebolão, um cronômetro dentro do corpo? Se ele respondesse que tinha usado inadequadamente as palavras, e que o que diz dizer era que ele estava já acordado, mas não havia ainda levantado da cama, quando ouviu quando ela abriu o portão e saiu, ela lhe diria: “então você fica na cama se revirando fingindo que está dormindo para que eu faça o café-da-manhã e deixe tudo prontinho para o doutorzinho acordar e ter tudo pronto quando resolvesse levantar, não é mesmo?” Esta resposta arrevesada poderia ser ainda pior, pois ela complementaria : “e fica pensando em quê quando fica revirando na cama? Em mim é que não é!” Não tinha jeito, as coisas não caminhavam bem entre eles já havia um tempo, especialmente depois que ela o pegou cantando e assoviando no banheiro a mesma música que costumava cantar quando se conheceram, a música que se tornou o símbolo e o anel musical da ligação dele a ela, e que – agora ela entendia bem – era a musica que ele cantava quando estava apaixonado , o que , no caso do canto de banheiro, evidentemente não se referia mais a ela. Isso foi há uns seis meses e mulher é danada para pegar estas coisas, sente no ar, como criança quando olha para a gente e percebe que alguma coisa não vai bem e depois, quando adultos, homens, platonicamente desaprendemos tudo isso. Marcio preferiu ficar quieto e murmurou um muxoxo que queria dizer “tanto faz”, “não sei”, “pois é”, “como pode ser isso”, qualquer coisa assim. Não adiantava discutir com Larissa, ele sempre perdia (alguém ganha alguma vez discutindo com mulher?). O que poderia fazer, engenheiro que era, era parar de cantar a música no banheiro que, quem sabe?, com isso ela acalmava ou esquecia. Ledo engano, aqueles seis meses foram um inferno e o máximo que faziam um com relação ao outro era dizer um “momdia”, nem até o “b” iam , utilizavam mesmo uma letra mais gutural, mais fácil e que requeria menos esforço, como um bebê aprendendo a falar, que começa com as mais fáceis e vai aprendendo as mais difíceis e é por isso que o alfabeto é o que é. No caso deles era o contrário, saiam de palavras sofisticadas para “mmmmm” guturais, regredindo. Era assim, dia sim, dia sim. Difícil, não? Bastante dizia Márcio, estoicamente. Mas, a verdade é que realmente ele estava apaixonada por outra mulher, e sabia que, mais dia menos dia, Larissa conseguiria as provas, descobriria tudo, e aí ele estaria frito, literalmente, para ser enterrado vivo por Larissa, que passaria a tratá-lo como um zumbi haitiano, alguém que desperta de alguma lenda caribenha e que passa a te assombrar (quem conseguiria assombrá-la? Era mais certo o contrário, a múmia correr espavorida de volta ao cemitério). Tinha que contar para ela e acertar os dados da separação, divórcio, sei lá o quê. E teria que ser hoje! Não dava para esperar mais, aquela situação o vinha corroendo há seis meses e era bem capaz de ele ter um peripaque qualquer a qualquer hora em função disto. A verdade, dizia a si mesmo, nada mais do que a verdade, até parecendo um advogado, não um engenheiro! Não tinham filhos, ainda eram jovens, os dois tinham carreiras razoavelmente promissoras pela frente. Chamou-a : Marissa (não tinha forças para o L). Por favor, você pode vir aqui um pouco? Tenho um assunto para conversarmos. O “por favor” era necessário, pois ela não atendia a nada que não começasse com por favor e terminasse por  obrigado. Ela pediu uns minutinhos e, depois de um certo tempo, veio, sentou e colocou as orelhas em concha, pensando: “agora o miserável, o canalha, o sem-vergonha confessa”. Marcio estremeceu, sentiu um frio na espinha, teve vontade de correr para o banheiro, esconder-se lá, chamar o SAMU, mas finalmente desembuchou, soltou tudo, até o intestino ficou mais relaxado: disse que aqueles anos tinham sido maravilhosos mas que já não sentia por ela o mesmo que antigamente e que havia, sem querer, sem procurar, aconteceu, o que é que se pode fazer?, conhecido uma pessoa especial por quem havia se apaixonado e que tinha certeza que o correspondia na expectativa de viverem uma nova paixão, um novo amor, duradouro, plantar uma nova semente, etc. Larissa, bem prática, ouviu e apenas perguntou: “quem é”? Marcio hesitou mas,por fim, disse o nome da nova paixão: é a Inês, a espanhola separada que se mudou há 6 meses para o andar de cima. Adenda que não tinha havido nada ainda entre eles, mas que tinha certeza que seria correspondido por ela assim que Larissa o liberasse para cantar a música anelada para a nova amada, a sua Inês, colocando todos os pingos nos is e os chapéuzinhos  nos es.

Um silêncio sepulcral se fez ouvir. Toca a campainha, Larissa se levanta, nem olha pelo olho-mágico para ver quem é (bom, a verdade é que ninguém da portaria anunciou ninguém, e só poderia então ser gente conhecida do prédio). Abre a porta: Marcio fica branco: é Inês!! Logo atrás de Inês aparece um homem dos seus 35 anos bastante bem vestido, assim como Inês, porte atlético, como se fossem jantar fora! Larissa os cumprimenta efusivamente, convida-os para entrar no apartamento e diz para Marcio: querido, você já conhece a Inês? Ela e o Marcelo (este era o nome do ex dela) reataram há pouco tempo e eu posso dizer que fui o cupido deste reatamento, pois vi que os dois se amavam e há uns seis meses estou desferindo as flechinhas nos dois. Eles não são um amor? Ah, eu os convidei para jantar fora hoje conosco, naquele restaurante chiquérrimo (e caríssimo! pensou Marcio), tudo por sua conta, viu? (risos, risos, risos, os de Marcio bem sem graça.). Será que é Nelson Rodrigues rindo lá de cima ? (ou lá de baixo?).

RP        

 


dez 16 2008

(X) ou (t)?

De um ponto bem distante, Miguel Ângelo observa (t)s que se movem numa aglomeração (A) de grandes quadrados bojudos e imóveis, ligados entre si por riscos (J) na terra (Q). (A) fica em algum lugar da esfera (E). Miguel Ângelo desenha o que viu mas não identifica nada  de forma exata, um relato pictórico bastante confuso. Não sabemos se o que estranhamos é o modo como relata o que vê, ou se são as situações em si, podendo a estranheza ter origem tanto no relato como nas situações. Miguel Ângelo não julga, em vista da imprecisão que cerca tudo que observa. Tudo fica mais confuso quando se o meu relato a seguir, baseado no dele. Tentei evitar emitir juízos; cabe ao leitor verificar se o consegui.          

1)      Miguel Ângelo vê grandes corpos retangulares imóveis com buracos de entrada/saída de (t)s, os quais chamarei de (L)s. Nos (L)s, em que adentram agitados, os (t)s passam parte do período em que há claridade, de lá saindo não menos agitados, portando vários objetos  retangulares envolvidos por uma lâmina delgada, os (o)s, os quais os (t)s levam para dentro de outros corpos retangulares imóveis menores do que os (L)s, com buracos também menores de entrada/saída, os (C)s, onde os (t)s passam durante o período em que há claridade bem como durante o período em que há escuridão, quando se deitam num objeto horizontal (h), do qual só levantam quando reinicia o período de claridade. Para se mover dos (L)s para os (C)s, os (t)s utilizam objetos rápidos, os (X)s, que se movem dentro de (J)s em (Q)s por toda (A). O que está dentro dos (o)s parece atrair magneticamente os (t)s, e eles voltam por várias vezes aos (L)s à procura de novos (os), havendo muitos (L)s por toda (A).    

2)      Além dos (L)s, existem outros corpos retangulares imóveis bastante grandes e com buracos de entrada/saída, os (P)s, para os quais durante cinco seqüencias de períodos de claridade, cada período de claridade interrompido por um período de escuridão, os (t)s se deslocam, saindo dos (C)s onde passam deitados durante o período de escuridão, se valendo dos (X)s, passando nos (P)s durante todo o período em que há claridade, parecendo que os (P)s têm função diferente dos (C)s e dos (L)s. Nos (P)s, os (t)s adentram agitados e saem de lá praticamente do mesmo modo, mas algumas vezes saem mais agitados. Voltam aos (C)s nos (X)s que se movem nos (J) , pensando em passar em algum (L), pois alguns (L)s funcionam tanto no período em que há claridade quanto no período em que há escuridão.

3)      Para se moverem, os (t)s usam os (X)s e Ângelo teve dificuldade em determinar  uma hierarquia em (A), quem ou o quê é superior a quem ou o quê, se os (t)s ou os (X)s, bem como quem são os mais importantes (t)s e (X)s, pois parece haver uma escala entre eles e entre todos,  alguma coisa de especial interesse a ele, talvez a razão  do seu relato. Outro tempo ele viu um (t) acariciar seu (X) após ter se batido ou chocado com outro (t), o qual também parecia defender seu respectivo (X) da batida com outro (t) e do respectivo (X). Miguel parece querer afirmar em seu relato que os (X)s eram mais importantes que os (t)s, mas apagou os desenhos que pareciam contar isso.    

4)       Em (A), os (t)s, durante o período em que há claridade, ficam dentro dos (C)s sentados frente a objetos retangulares, os (u)s, e depois se deitam em (h)s, praticamente não se aproximando dos (t)s ao lado, que se deitam em diferentes (h)s no mesmo (C), o que parece ter deixado Miguel um pouco confuso, não entendendo porque aqueles (t)s - que não se aproximavam uns dos outros -  estavam no mesmo lugar durante o período de escuridão. Ângelo também aqui apagou os desenhos que fez. Observou que os (t)s, quando em (C), se sentam em frente a um objeto com símbolos, os (z)s, nos quais os (t)s batem, e assim devem se comunicar com outros (t)s mais importantes do que os que do mesmo (C) no período de escuridão, parecendo menos agitados ao se comunicar com os distantes do que com os próximos, mas pode ser que eu tenha interpretado de forma errada a simbologia de Miguel Ângelo.    

5)      Os (t)s observados em (A), carregavam sempre consigo pequenos objetos, os (x)s, dos quais se aproximavam várias vezes - recebendo ou dando ordens é o que Ângelo não nos diz. O que chamou a atenção de Miguel é que os (t)s se aproximam mais destes (x)s do que de outros (t)s, deixando-o novamente em dúvida sobre a hierarquia nesta aglomeração de (t)s, (X)s e (x)s, (P)s, (C)s e (L)s, etc. em (A).  

6)      Há (t)s que se movem constantemente acima do (Q), dentro de objetos pontiagudos, ficando, durante boa parte do tempo, bem distantes do (Q), deixando todos os outros (t)s bem abaixo deles, o que pode significar a existência de hierarquia, a possibilidade de que os (t)s que se distanciam de (Q) sejam mais importantes do que os (t)s que ficam embaixo. Quando eles descem à (E), ou seja, voltam a (A), parecem estar um pouco mais agitados do que quando saíram de (A), lembrando que o que Miguel Ângelo vê são apenas objetos distantes que parecem se movimentar mais rapidamente quando voltam ao (Q), assim inferindo que estivessem mais agitados a partir de seu movimento. Se há hierarquia entre os (t)s, se esses (t)s que se distanciam do (Q) podem ser reverenciados ou temidos pelos que permanecem em (Q), Miguel Ângelo não pretende se arriscar a afirmar, mas provavelmente diria que são tanto um como o outro, pois novamente apagou comentário anterior.

7)      Ficou em mim a ligeira impressão de que alguns (t)s que freqüentavam os (P)s em (A) são abandonáveis, pois outro tempo um número de (t)s que freqüentava por muitos períodos onde há claridade determinado (P) foi colocado para fora, todos agitados na saída, para nunca mais voltarem, passando em seus respectivos (C)s a maior parte do tempo, indo cada vez menos aos (L)s, jamais voltando a qualquer outro (P).  Se houver hierarquia em (A), penso que o mais baixo nível deve ser o dos (t)s removidos dos (P)s.

8)       Algo que Miguel Ângelo quase apontou também, pois apagou o que primeiramente anotou, foi o fato de que teria se estabelecido em (A) sistema de reconhecimento entre os (t)s, talvez para não encontrar com (t)s inferiores, todos se isolando dentro de (C)s cercados por retângulos verticais altíssimos, que chamaremos de (G). Há 3 tipos de (G)s, o que leva a conclusão que devem abrigar três tipos diferentes de (t)s.

9)      Aparentemente, destes três tipos ou classes de (G)s, há uma destinada aos mais importantes (t)s, e que serve de paradigma aos demais, a classe dos (t)s que saem do (Q), que se distanciam do (Q) de (E), e que parecem se consideram superiores aos demais, o mesmo ocorrendo com a classe intermediária em relação à inferior.  

10)   Há necessidade constante do que é imediato em (A), os (L)s  e os (S)s, o que leva boa parte dos (t)s  a recorrer aos mesmos, encontráveis em toda a (A) através dos (x)s.

11)   Miguel Ângelo notou rapidez muito grande na circulação de (t)s e de (X)s em (A), como se os (t)s fossem girados cada vez mais rapidamente em (A), dos (C)s para os (P)s, dos (P)s para os (C)s, dos (C)s para os (L)s, dentro de (X)s cada vez mais velozes, e assim por diante, por uma força (F) que não controlam, mas que parece controlar a todos.

12)    Miguel Ângelo não apontou em seu relatório qualquer preocupação com tempos à frente, que parece não existir em (A), os (t)s apenas preocupados com o agora, e é exatamente por isso que os (L)s e os (S)s são importantes em (A). Aparentemente tudo em (A) só vive no tempo imediato.

13)   Muito importante também em (A) são matérias finas retangulares, cortadas e flexíveis e que trocam de mãos tão rapidamente quanto os (t)s se deslocam com os (X)s e falam nos (x)s, às quais daremos a letra (M). Miguel Ângelo não apontou em seu relatório se o comportamento predominante em (A) também é encontrável em outras aglomerações, ou se fez algum dia observações sobre outras aglomerações.

14)   Parece que há uma escala em (A), mas não me arriscaria a tentar decifrá-la, nem encorajo o leitor a fazê-lo.