Declinações são mudanças nas terminações de determinados tipos de palavras, sendo próprias a algumas línguas, que, por se valerem delas, são chamadas de línguas sintéticas. As línguas que não usam declinações são conhecidas como analíticas. São exemplos de línguas analíticas o português, o inglês, o francês, o espanhol, o italiano, dentre muitas outras. São exemplos de línguas sintéticas, ou seja, que utilizam declinações, o latim, o grego, o sânscrito, o russo, o polonês, o alemão, dentre outras. Todas as línguas citadas acima, sintéticas ou não, são de origem indo-européia, ou seja, têm origem no indo-europeu, ou indo-ariano, idioma apenas falado, sem suporte de alfabeto que o registrasse e o documentasse para a posteridade, e que era língua declinada, ou seja, valia-se de declinação nas terminações de alguns tipos especiais de palavras. Ou seja, já há pelo menos mais de 5.000 anos, o homem, em seu estágio pré-civilizacional, que era o de caçador/coletor, se vale de língua declinada, o que, de certo modo, invalida a argumentação de que as línguas evoluíram no tempo, já que a estrutura das línguas sintéticas é bastante mais sofisticada do que a correspondente às analíticas e explica como era natural que na região do Lácio, onde o latim se originou, e a qual compreendia Roma, cerca de V AC, camponeses falassem uma língua tão sofisticada como era o latim que então se formava.
Que tipos especiais de palavras são as que variam nas línguas sintéticas? São as palavras com função de substantivos, nomes próprios, adjetivos, artigos definidos e indefinidos, alguns numerais, etc. As preposições são invariáveis. As palavras destes tipos variam em função do caso a que pertencem, ou seja, em decorrência da função sintática que desempenham na frase, conforme explicado a seguir. Normalmente, há 6 casos tradicionais, cada um correspondendo a um caso gramatical nas línguas analíticas (o português, por exemplo). Os casos podem estar no singular ou no plural: o caso nominativo é o caso do nosso sujeito, o vocativo é o mesmo vocativo nosso, caso genitivo é o caso do adjunto adnominal português, que indica propriedade ou posse. Os demais casos são, tradicionalmente, o caso dativo, correspondente ao objeto indireto, o caso instrumental ou ablativo, correspondendo ao adjunto adverbial, e, finalmente, o caso acusativo, que é o caso do objeto direto, que é o caso lexicogênico do português, isto é, é o caso que deu origem às terminações das palavras portuguesas e que fazem o plural com o “s”.
Embora cada idioma possa ter mais ou menos casos dos que acima estão explicitados, o grego, por exemplo, tem o caso dual, cada língua tem quantidade bastante variável de declinações, o que facilita ou complica o aprendizado das mesmas. Idiomas complexos como o sânscrito (também de origem indo-européia e estabelecido no Hindustão), têm 8 diferentes declinações, e é tido como uma das línguas mais sofisticadas que jamais existiram, o que significa que há que se memorizar ou aprender 8 tabelas diferentes de declinações, cada uma com as suas terminações específicas, sendo desinência o nome que se dá à parte variável da palavra, assim composta de uma parte invariável ou fixa, que é conhecida como raiz, e por outra que é a própria desinência. O russo tem seis declinações diferentes e o latim 5, sendo 3 as declinações do grego e também as do alemão. Como fator adicional de complicação, idiomas como o russo, assim como o latim, não se utilizam de artigos definidos, o que representa um grau a mais de dificuldade no aprendizado destes idiomas.
Para terminar e agregar um pouco mais de sal ao tempero, diga-se que as línguas sintéticas têm maior flexibilidade ou liberdade na colocação das palavras nas frases, pois o maior valor sintático está na palavra e não na posição que ela ocupa na frase. No caso das línguas analíticas, há uma maior rigidez neste aspecto, com a manutenção do padrão SVP, ou seja, de sujeito, verbo e predicado. No caso das línguas sintéticas, cabe ao leitor descobrir se a palavra é sujeito, verbo ou predicado, atentando não para a posição da palavra na frase, mas sim à sua desinência, único indicativo de sua função sintática. Para finalizar, mencione-se a dificuldade que é se procurar em dicionário as palavras de línguas declinadas, pois apenas os casos nominativo e genitivo são referenciados, devendo o leitor, para encontrar a palavra, saber reduzi-la de volta ao caso nominativo, o que nem sempre é simples, tendo em vista a grande irregularidade das declinações. Quanto ao uso do dicionário, os verbos latinos são encontrados nos dicionários não a partir do infinitivo, como ocorre no português, mas da forma seguinte: primeira pessoa do presente do indicativo, segunda pessoa do presente do indicativo, primeira pessoa do presente perfeito, supino, infinitivo.
RP