Se há 50 ou mais anos, celebridade eram as estrelas de cinema, homens ou mulheres, atores como Clark Gable, Cary Grant, atrizes como Vivian Leigh, Susan Bancroft, dentre muitas outras e muitos outros, parece que hoje, a par da manutenção da veneração das celebridades estelares (Brad Pitt, Christian Slater, Madona, etc.), há também a vertente popular da coisa, a celebridade promovida por um esquema tipo Big Brother Brasil (ou em algum outro lugar do mundo, já que a idéia é holandesa e foi licenciada em quase todo o mundo), dentre muitos outros esquemas rápidos de projeção de pessoas que eram desconhecidas e que não teriam qualquer possibilidade de ascensão meteórica como tiveram. O que diferencia uns dos outros, um Brad Pitt de, por exemplo, uma Sabrina Sato ou um Alemão, vencedores de duas edições do BBB? Parece-me que, em primeiro lugar, a projeção, já que é difícil imaginar que qualquer um destes talentos midiaticamente promovidos consiga alcançar a fama e a projeção que outros naturalmente desenvolvidos. Como segundo ponto, penso que o caráter de adoção que cada um dos BBB teve, já que sabemos que eles estão lá de uma maneira forçada, não natural, mas, justamente por isso, insistimos em continuar a colocar o nosso selo de aprovação em cada um deles, considerando-os mais nossos do que os demais não midiaticamente produzidos, como se disséssemos a todos que, ok, a Sabrina e o Alemão são meio beócios, pouco talentosos, mas, parafraseando o presidente americano Harry Truman, são os MEUS beócios, os MEUS pouco talentosos, deixem-nos aí por mais um tempo. Em terceiro lugar, uma certa identidade com todos nós, ilustres desconhecidos, que não procuramos os estúdios, as gravadoras, mas cantamos no banheiro, já que poderíamos ser nós no lugar deles e eles são como que nossos representantes, sendo muito poucos os artistas que se desenvolveram sem estimulação midiática que têm este tipo de identidade popular, talvez uma Hebe Camargo, uma Ana Maria Braga, mas tenho dificuldade em ir além. Como último ponto, boa parte destes artistas fabricados têm realmente talento, embora num nível secundário, não escapando muito da mediocridade original. O único caso de que me recordo de alguém que tenha escapado de um esquema forçado, que afinal era o inicio da vulgarização das celebridades, para um esquema realmente de forte posicionamento artístico é o de Ricky Martin, que, originário dos Menudos, conseguiu se impor no cenário musical e carrega conceitos extremamente elaborados em suas manifestações culturais, reinventando-se sempre. Se alguém conseguir aprender a partir da experiência dele, acho que caminharemos com mais sucesso na produção de artistas populares de talento real e não na pura e simples produção de celebridades vulgares.
RP